segunda-feira, 28 de julho de 2008

Quero!


Já não subo em cima de uma beleza destas há quase um ano e sou mais surfista de areia do que outra coisa. Mas será que dá para resistir a uma prancha Chanel? É o cúmulo do luxo supérfluo!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A Mudança

Parece que vou mudar (outra vez) de casa! Desde que aterrei de pára-quedas em Lisboa em 2001, já vivi em cinco casas. A primeira ficava na Quinta da Luz perto do Colombo. Eu vinha cheia de sonhos e com vontade de conquistar este mundo e o outro e depressa me apaixonei pela cidade. Dividia o quarto com a M. e na casa viviam também a mosca morta e o monstro das bolachas. A convivência não era pacífica e a coisa azedou a sério ao fim de três meses, quando descobrimos que afinal a renda ia passar para o dobro e o monstro das bolachas começou a mostrar as suas garras. Bizarro, no mínimo! Claro que em Janeiro quartos de estudante acessíveis era coisa que não abundava e não tive outro remédio senão ir para o Barreiro para casa dos meus tios, mais propriamente para um anexo amplo no terceiro andar só para mim e muito confortável. Esta segunda experiência foi muito mais agradável, mas eu estava apaixonada por Lisboa e havia um rio a separar-nos. Lá tive de aguentar a travessia de barco durante um semestre, enquanto a minha tia me estragava com mimos e a melhor comida do mundo. No segundo ano, mudei-me com a E. para a Av. 5 de Outubro. Aquilo é que era qualidade de vida: demorava cinco minutos a chegar à faculdade se apanhasse todos os sinais de peões vermelhos, um acidente, um autocarro a largar passageiros e uma velhinha a precisar de ajuda para atravessar a estrada! Tinha tudo a um passo de casa, desde o Monumental até às lojas do Saldanha. E depois era tão fácil combinar saídas com a malta da faculdade! Ia tudo ter a minha casa. Na Primavera, as árvores enchiam-se de flores, ao fim-de-semana, a rua ficava serena e à noite andava a pé sózinha sem medo. Eu e a E. dávamo-nos lindamente e até tive direito a uma festa de aniversário surpresa naquela casa. Um ano e meio depois, troquei a 5 de Outubro pela Calle Borja, em Madrid. Em vez de um minúsculo T1 transformado em T3, fui para um T5 duplex, que também tinha sido transformado para albergar seis estudantes e a proprietária. Ali vivi com duas lisboetas, uma brasileira, uma mexicana cleptomaníaca, duas francesas de origem árabe, que nos detestavam a todas e uma espanhola, a senhoria e matriarca Pilar. Era uma casa fabulosa com um terraço espaçoso, onde faziamos grandes jantaradas de Erasmus, uma sala enorme com uma panóplia de livros e dvds, onde devorávamos as séries da Factoria de Ficción e dezenas de bolachas de uma só vez, e um ambiente único. Esta seria a minha quarta casa, mas como foi fora de Lisboa não conta. De volta a Portugal, fui procurar casa com a R., porque a E. continuava na 5 de Outubro e já não havia lá espaço para mim. Fui parar novamente a Benfica, a um T2 transformado à força em T3 e não foi fácil habituar-me outra vez a um espaço tão exíguo e ainda por cima sem sala. Era o último ano da faculdade e nós queríamos aproveitá-lo a valer. Naquele número 68, riu-se muito, chorou-se muito e mudou-se muito. Crescemos, começámos a trabalhar e eu voltei a apaixonar-me e a mudar de casa. A R. foi viver com a N. e eu fui para um T2 a sério no mesmo bairro. Lá viviam duas amigas que dividiam um dos quartos, passavam a maior parte do tempo na terrinha e estavam prestes a deixar a capital. Aos poucos, fui transformando a casa à minha imagem e semelhança e o D. também se foi apoderando um pouco do espaço. Mas como em todas as histórias não há bela sem senão, o senhorio é uma personagem difícil de dobrar e ainda mais difícil de engolir. Depois de muitas divergências, cheguei à conclusão que é hora de sair. E, desta vez, além de boa, tem de ser MINHA!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O meu Chiado


No Chiado, a tradição abraça a vanguarda. O Tavares, A Brasileira e as ruínas do Carmo convivem pacificamente com o Olivier, o Mar Adentro e o Museu do Chiado. Nas ruas, misturam-se culturas, línguas e cores. Visita-se o passado n’A Vida Portuguesa, folheiam-se histórias na Bertrand, declaram-se amores no Amo-te. Provam-se sabores tipicamente nossos e de outros. Os scones do Royale Café, os gyosas do Nood, o bife da Brasserie de L’Entrecôte, os croissants da Bernard, os lanches do Tágide. Contempla-se o pulsar da cidade e o brilho do Tejo do terraço do Bairro Alto Hotel. A rua Nova do Almada e a Garrett são palco de um desfile diário, onde as tendências da moda que figuram nas montras ganham vida. O teatro, a música e a ópera entram em cena no São Luiz, no Teatro-Estúdio Mário Viegas e no São Carlos. Para mim, todos os dias são dias de Chiado!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Séries de ouro

Hollywood que se ponha a pau!

Imagine que ligava a televisão e as séries americanas tinham desaparecido da programação. Provavelmente, não acharia grande piada até porque as grelhas dos canais nacionais estão cheias de formatos importados de países como a Argentina e o México muito pouco estimulantes. Se é certo que a falta de opções tem dado lugar a uma aposta crescente em grandes sucessos made in USA, a verdade é que a sua inegável qualidade conquistou de vez os espectadores. E, sinceramente, quem é que consegue imaginar a televisão sem House, Anatomia de Grey, Donas de Casa Desesperadas, Prision Break, 24, CSI, Perdidos, Simpsons, Heroes e toda a panóplia de séries extraordinárias com selo norte-americano que têm chegado até nós?
Podíamos dizer que eles têm dinheiro, tecnologia e experiência; que têm um autêntico viveiro de actores; que importam autores dos quatro cantos do mundo. Mas em qualquer um dos casos estaríamos a ser injustos. Os Estados Unidos têm o mérito (ou pelo menos a esperteza) de apostar nos recursos nacionais e aproveitar o que lhes chega de fora. E o resultado são guiões inteligentes e até com um certo grau de experimentalismo - como é o caso da sitcom de culto Seinfield -, uma realização muito técnica próxima do cinema, uma produção exemplar e a formação de actores sólidos, que têm espaço para crescer no pequeno ecrã. É claro que tudo isto só é possível, porque os canais privados de cabo começaram a fabricar os seus próprios produtos, mais livres e arrojados do que se fazia até então. O que abriu terreno para séries ousadas como O Sexo e a Cidade, polémicas como Os Sopranos ou 24 e hilariantes como Calma, Larry. Daí para o renascimento televisivo norte-americano foram apenas alguns passos acertados.
A fórmula do sucesso não é tão misteriosa nem tão inalcançável quanto se possa pensar. Aliás, a simplicidade e originalidade são o segredo de todos estes produtos. Senão vejamos o exemplo de House, Scrubs e Anatomia de Grey. Quando ER: Serviço de Urgência parecia ter esgotado todas as formas possíveis de abordar o quotidiano de um hospital, surgem três perspectivas completamente distintas. No primeiro, temos um médico pouco convencional e muito sarcástico que encara os pacientes como um mero desafio; no segundo, acompanhamos as aventuras e desventuras de um interno que parece viver noutra dimensão; e, no terceiro, as emoções da equipa de médicos roubam o protagonismo aos casos clínicos. Um exemplo entre muitos que comprova que nenhum tema está realmente esgotado. Outro caso interessante é o de Perdidos, que parte de um conceito extremamente simples – um grupo de pessoas tenta sobreviver numa ilha depois de um desastre de avião – e conta já com três temporadas.
Quanto a mim, parece-me que o maior salto qualitativo das séries americanas deu-se ao nível da escrita. Os argumentos são cada vez mais sólidos e coerentes, as personagem fogem dos estereótipos e ganham uma dimensão humana que cria empatia no espectador e até para o non sense parece haver lugar.
Depois de décadas menos felizes, há quem diga que actualmente se encontra mais talento em estações televisivas como a HBO ou a ABC do que em todos os estúdios de Hollywood. O que nos faz recuar até a década de 50, quando a televisão levou o cinema até casa dos americanos e havia uma espécie de euforia criativa nestes dois mundos. Esperemos só que a qualidade se mantenha...e seja contagiosa!

Hoje, no Músicas Com História

Acompanho este (e outros) programas da Antena 3 quase religiosamente. Assim como o Long Play da Marginal e outros tantos da Oxigénio. Gosto mais de rádio do que de televisão. Gosto de me deixar conduzir pelas vozes no meio do trânsito. De imaginar os rostos dos locutores, de os sentir como familiares próximos, de descobrir coisas novas e correr para o computador para pesquisar. A caixinha mágica não me dá tantas surpresas e até as notícias me sabem melhor na telefonia do que no ecrã colorido. Pelo menos nenhum noticiário radiofónico abre com a Dona Lurdinhas de Sobral de Monte Agraço a contar como partiu uma perna por causa de um buraco na calçada. É verdade que não dispenso uma boa maratona de séries de vez em quando e a sessão dupla da RTP 2 sempre que posso, mas de resto pouco há no pequeno ecrã que me encha as medidas.

Tudo isto para dizer que hoje de manhã no Músicas Com História recordaram a Fast As You Can da Fiona Apple. Uma autêntica banda sonora de um amor conturbado que me acompanhou bastante há um par de anos atrás. Enjoy it!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Moral da história

Quem poupa o lobo, sacrifica as ovelhas. Já dizia Victor Hugo (1802-1885)

Fé em Deus!


Ontem, foi noite de cinema after-hours. O BOPE entrou-me pelos olhos, cabeça, entranhas adentro. Atirou a matar. Atirou para limpar a sujidade da favela. Atirou contra o lobo mau. Atirou ao som do choro das criancinhas. Atirou para as mães dormirem descansadas e poderem enterrar os seus filhos. Atirou porque o comando não é só "consciência social". Atirou porque a polícia municipal faz vista grossa. Atirou porque os filhinhos de papai gostam de brincar de traficante na Universidade. Atirou para não morrer.

(Lembrei-me do assalto. Dos putos escanzelados com cara de criança e voz de monstro. Do olhar esgazeado da dependência. Da violência das palavras e dos gestos. Do perigo eminente, da garrafa partida apontada à minha barriga, do medo aterrador. Lembrei-me da força que as minhas pernas ganharam quando me consegui soltar. De não olhar sequer para trás. De ficar sem fôlego e de as palavras tropeçarem nas lágrimas e nos soluços. Da indiferença da polícia turística. Da raiva e do calor húmido de Natal.)

Cheguei a casa tarde mas desperta. Com realidade a mais a sair-me pelos poros. Antes de adormecer, pensei que não passava de um exercício de ficção brilhante. O problema é que o que para mim é entretenimento puro ou quanto muito uma lição de sociologia é o dia-a-dia de milhares de pessoas do outro lado do Atlântico. Uma guerra aberta sem fim à vista e onde todos são culpados. De uma forma ou de outra. Os aviõezinhos ou fogueteiros começam desde cedo a vender maconha, pó ou o que quer que seja. Para sustentar a família, no início, para sustentar o vício, pouco depois. E é aqui que começa a perversidade: os grandes dão-lhes um empurrão para que fiquem agarrados e o ganha-pão transforma-se em produto consumível. Seguem-se os roubos, porque os traficantes não perdoam e o dinheiro tem que aparecer custe o que custar. Depois, tal como mostra o filme, os consumidores também têm culpas no cartório. Afinal, são eles que alimentam toda esta cadeia. E, claro, a polícia entra no jogo, facilitando a vida aos patrões do ghetto em troca da sua pele a salvo e de uns bons contos de rei. Haverá excepções certamente, mas o filme mostra que esta instituição está corrumpida até ao tutano. A precaridade salarial, os perigos a que estão sujeitos a troco de nada e a filha-da-putice pura são apresentadas como as causas para o estado das coisas. Os policias são seres humanos que têm medo de morrer, pais de família com filhos para sustentar, profissionais desmotivados que não acreditam na mudança. Resta o Batalhão de Operações Policiais Especiais, os homens de negro duros de roer e incorruptíveis. Actuam quando os outros falham e não compactuam com o sistema, porque eles ainda acreditam que podem fazer a diferença.
O filme começa com o BOPE a irromper pela favela ao som do Baile Funk . O ritmo é frenético e a câmara acompanha cada movimento, levando-nos para dentro de cena. Sentimos a angústia dos únicos dois polícias honestos do Rio e seguimos a par e passo a entrada triunfal dos homens de negro. Sente-se quase o bater do coração das personagens, a respiração ofegante, o terror dos civis. Assistimos a um rol de horrores como se de um espectáculo se tratasse e se não fosse a narração compassada do Capitão Nascimento as imagens tornar-se-iam insuportáveis. Ele é a voz da consciência. Conduz-nos através do desenrolar dos acontecimentos, abre o coração, confessa os seus próprios erros. Vemos a relidade como ele a vê, uma parte dela, uma verdade possível, uma verdade polémica o quanto baste. É por isso que Tropa de Elite é um produto ficcional e não um documentário. Genialmente realizado, interpretado e editado. E, cá entre nós, uma excelente amostra do bom cinema na língua de Camões que por lá se faz!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O deboche

"A comunidade cigana lança um ultimato ao Governo e à Câmara de Loures. Se a situação das famílias ciganas da Quinta da Fonte não for resolvida até final da semana, vai haver uma concentração de ciganos de todo o país no bairro. O anúncio foi feito, no domingo, por José Fernandes, porta-voz da comunidade.

José Fernandes pede o realojamento das 53 famílias em Lisboa e diz que, para resolver o problema, a Câmara de Loures e o Governo têm uma semana.

As famílias visitaram o bairro, este domingo, sob escolta policial, mas dizem não ter encontrado a segurança necessária para o regresso definitivo. Em comunicado, dizem que voltar à Quinta da Fonte está «fora de questão» e vão continuar em frente à Câmara de Loures. O presidente da autarquia diz não compreender porque é que as famílias não regressam a casa e apela ao «bom senso»."

TVI, 21.07.08

Ode à autenticidade

Adoro tudo no último anúncio da Super Bock. A cadência das imagens, a luz diáfana, a fotografia propositadamente imperfeita, a música ao ritmo da pulsação, o arrepio na espinha que me provoca. Tudo está feito para captar aquele momento único, irrepetível e eterno. E cumpre em pleno. Aqui fica a versão do realizador.

Detesto...


...a prepotência masculina em geral. Mascarada de insegurança e amuanço, por vezes, completamente descarada outras tantas. Por trás daquele tom paternalista, daquela mão mansa que nos passam pela cabeça ou daquele irritante ar reprovador, esconde-se a velha mania de mandar a todo o custo. Ainda assim prefiro os homens de pulso firme e decididos. Ao menos não disfarçam e num duelo entre dois grandes egos ninguém tem de se curvar. Com um pouco de sorte, acabam por mostrar ambos a bandeira branca e o cessar fogo é muito mais agradável do que uma guerra fria e silenciosa. Os outros, mais vulneráveis e dependentes, gostam de se fazer de vítimas. E isso, meus senhores, é jogo sujo!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Quero!


Este é o meu mais recente desejo de posse. Assim que o descobri - há um mês e qualquer coisa - o meu espírito estremeceu e tive vontade de saltar da cadeira e correr a comprá-lo. Valores mais altos se levantaram e tive de conter o meu impulso até agora. A comprar brevemente através do site www.fogefogebandido.com.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Até breve, Bob!


You got a lotta nerve / To say you are my friend / When I was down / You just stood there grinning
You got a lotta nerve / To say you got a helping hand to lend / You just want to be on / The side that's winning
You say I let you down / You know it's not like that / If you're so hurt / Why then don't you show it
You say you lost your faith / But that's not where it's at / You had no faith to lose / And you know it
I know the reason / That you talk behind my back / I used to be among the crowd / You're in with
Do you take me for such a fool / To think I'd make contact / With the one who tries to hide/ What he don't know to begin with
You see me on the street / You always act surprised / You say, "How are you?" "Good luck" / But you don't mean it
When you know as well as me / You'd rather see me paralyzed / Why don't you just come out once / And scream it
No, I do not feel that good / When I see the heartbreaks you embrace / If I was a master thief / Perhaps I'd rob them
And now I know you're dissatisfied / With your position and your place / Don't you understand / It's not my problem
I wish that for just one time / You could stand inside my shoes / And just for that one moment / I could be you
Yes, I wish that for just one time / You could stand inside my shoes/ You'd know what a drag it is / To see you

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Two For The Road

O filme que eu DEVIA ver hoje... Podia ser que aprendesse alguma coisa. Ou talvez não...

BA-NA-NA

Porque o Lou está cada vez mais perto do Campo Pequeno, aqui fica Heroin, uma verdadeira obra poética que condenou os The Velvet Underground à vida eterna! Por cá, Reed comemorará os 35 anos de Berlin, uma espécie de ópera rock trágica, que lhe saiu das entranhas numa altura em que lutava contra a depresão e o abuso de drogas. O coro New London Children's Choir também vai subir ao palco para ajudar à festa. Tudo a 19 de Julho, às 21h30. Ah, e esta dificilmente fará parte do alinhamento, so enjoy it!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Ordem para abrandar


Enquanto a maioria de nós se perde no meio de uma agenda cheia de compromissos inadiáveis, reuniões e objectivos a cumprir, há quem comece a tirar partido da vida. Sim, porque mais de metade da população deste planeta mais não faz do que sobreviver! Embrenhados num mar insano, movidos pela lógica do cifrão, da aparência e da produtividade, esquecemo-nos das coisas mais simples. E será que realmente nos importamos? Às vezes, parece pecado admitir que temos tempo. Tempo para um café com amigos, tempo para ler, tempo para errar estrada fora. No "nosso mundinho", fica melhor dizer que estamos assoberbadíssimos (alguns, de facto, estarão), que mal conseguimos ter vida pessoal, que aquele jantar tem de ficar para daí a três meses, que temos em mãos um novo projecto e precisamos de enclausurar-nos em casa, e por aí fora. A um passo de nós, começa a crescer uma pequena minoria - na Austrália, em algumas nações nórdicas e um pouco por todo o lado - que decidiu gritar BASTA! a este ritmo frenético. Alguns somavam sucessos profissionais, tinham cargos de relevo, carreiras invejáveis...e vidas vazias. Quis a vida, ou por outra, quiseram eles que o rumo das suas histórias mudassem radicalmente. Passaram a família, os amigos e a realização pessoal para primeiro plano, disseram que não ao cargo importantíssimo que lhes roubava a tranquilidade e às despesas exageradas de um estilo de vida com estilo, mas sem vida. E, agora, contam-nos como se pode ser feliz longe de tudo o que a nós ainda nos prende. É um sinal dos tempos!

Beginner's Guide To Slow Down

Six Slow Secrets (and four more)

1. Have a cup of tea, put your feet up and stare out of the window. Warning: don’t try this while driving.
2. Spend some quality time in the bathtub.
3. Write down these words and place them where you can see them, “Multi-tasking is a Moral Weakness.”
4. Try to do only one thing at a time.
5. Do not be pushed into answering a question right away. Take your time.
6. Get some stuff to show you're slow.
7. Yawn often. Medical studies have shown lots of things and possibly that yawning may be good for you.
8. Have some more tea. Tea is the drink of the slow.
9. Join our slow story reminder list.
10. Take a nap and spend at least an hour extra in bed. You deserve it. If you need help getting out of bed, then read this. If you think you have a hard time getting to sleep then read this .
Note: If you just can't shake of an attack of seriousness, then amble slowly over to the slow blog http://www.blog.slowdownnow.org.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Vira o disco e toca o mesmo

Isto é o que anda a rodar no meu Jazz. On repeat, porque o álbum tem apenas 34 minutos e fico com a sensação que é uma música sem fim. Se gostarem, não faltem ao Optimus Alive! na próxima quinta-feira, porque estes rapazes vão andar por lá ao fim da tarde. Ah, eles são os Vampire Weekend e esta é a minha preferida I Stand Corrected!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Depois das cinzas de Cobain, a lápide de Curtis

"Pedra tumular de Ian Curtis roubada
A pedra tumular de Ian Curtis desapareceu do cemitério de Macclesfield, cidade onde o vocalista dos Joy Division nasceu.

O roubo terá acontecido entre terça-feira à tarde e quarta-feira de manhã. A polícia inglesa não tem qualquer indício sobre o paradeiro da pedra tumular, visto que o cemitério de Macclesfield - perto de Manchester - não dispõe de câmaras de vigilância."

Diário Digital, 03-07-2008

terça-feira, 1 de julho de 2008

Saúde pública


Durante o meu zapping nocturno, deparei-me com uma frase surreal, que me fez duvidar se ainda estava acordada ou no meio de um pesadelo. Belisquei-me e percebi que a realidade há muito que deixou de ser lógica! Refiro-me às sinceras (seriam?) palavras de Dias Loureiro a propósito do lançamento da biografia* do nosso caro Primeiro-Ministro. É que segundo o Diário de Notícias, o ex-ministro social-democrata desfez-se em elogios ao Sr. Engenheiro e chegou mesmo a afirmar que "O optimismo de Sócrates faz bem a Portugal." Por momentos, ainda pensei que se estivesse a falar de algum medicamento ou mesmo do afamado filósofo grego. Agora que penso nisto, não sei o que é pior: o facto de Sócrates estar optimista em relação ao que quer que seja ou o facto de o país precisar desse optimismo para estar bem de saúde. No que me toca, lembro-me de me ter ocorrido enquanto mudava de canal, que o Sr. de São Bento podia enfiar o seu optimismo pelo *@#& acima! Se calhar era o sono a falar mais alto...

*Sócrates, O Menino de Ouro do PS, da autoria da jornalista Eduarda Maio

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O princípio do fim

A separação aproxima-se. Vertiginosamente. Se há retorno, não sabem. Nem querem. Nem vale a pena fazer perguntas sobre o futuro ou criar expectativas acerca de uma relação que sabem efémera e inviável. E aqui reside a sua beleza e a intensidade com que a vivem. São pássaros livres, duas almas sem amarras, sem vontade de ancorar num só porto. Talvez mais tarde. Talvez nunca mais.
Ela tem um porto de abrigo ao qual regressa depois de cada tempestade, que a acolhe e conforta. Alguém que a aceita como é. Completam-se: ela leva-lhe as histórias do seu mundo no olhar; ele oferece-lhe a paz e o equilíbrio que mais ninguém lhe consegue dar. Por alguns instantes apenas. O outro, único e irrepetível, vagueia entre a vontade de criar laços e a necessidade visceral de partir. Era inevitável: não conseguiram resistir-se. Entre eles, a música, a noite, o rio, a poesia… e a paixão. Nada mais. Ele partirá não tarda nada e o destino mantém-se desconhecido. Eventualmente, também ela terá a coragem de partir um dia. Ao seu encontro, quem sabe?

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Emma Goldman

Há um século atrás, esta anarquista e feminista de origem lituana disse: "If voting changed anything, they'd make it illegal". Começo a acreditar que ela tinha toda a razão.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Há dias assim...

A menina do post anterior juntou-se aos Five O'Clock Heroes e deu voz a uma mente conturbada. Como a minha por estes dias. A dada altura na música Who, Agyness parece roubar-me as palavras da boca:

"I wish I could control all my judgments
Understand every move
Take of my mind all of this voices
Tell me what should I do"

Nobody stops her!

Ela é assim... Irreverente, confiante, destemida. Desconcertante, contoversa, independente. Ela é uma maria-rapaz feminina e senhora de si. Dita as regras do jogo e joga com prazer e muito estilo. É uma musa e ele diverte-se com ela. Ela é Agyness Deyn, ele Jean Paul Gualtier. O resultado desta mistura explosiva chama-se Ma Dame e está à vista de todos.

terça-feira, 17 de junho de 2008

A apologia do non-sense



Parece que alguém na redacção ouviu as minhas preces e deixou um livro na minha secretária. Eu não me lembro de ter pedido A Filosofia Segundo Monty Python, mas agradece-se. Depois digo de minha justiça!

Quero!



Será que alguém se importa de traduzir este livro e mandá-lo para cá, por favor? Já me contentava com a versão original, vá. Alguém sabe onde posso encontrá-la? O Amazon não conta...

Dia Quatro ou Apostas ganhas

Está um dia glorioso! Talvez seja da noite bem dormida, mas o que é certo é hoje tudo me parece mais nítido, colorido, brilhante. Saímos do quarto ás 11h00, com o sono em dia e esfomeados. Corremos para o Albert mais próximo - o supermercado cá da zona - e comprámos tudo o que nos encheu o olho. Era altura de um pequeno-almoço reforçado no Vondelpark com direito a uns muffins gigantes bem fresquinhos que encontrámos numa das padarias de rua mais requisitadas. O cenário perfeito: relva, um lago, patos, árvores e comida apetecível. À nossa volta, uma mãe babada brincava com as suas filhas louríssimas, um pai de fato corria atrás do filho endiabrado (e louríssimo), um casal passeava dois cães de água enormes e brincalhões e uma rapariga (louríssima) preparava um mega-piquenique com vinho e bolos incluídos. E nós deliciámo-nos com o melhor pequeno-almoço de sempre ao som dos patos, dos risos das crianças e dos nossos risos. Este ambiente bucólico no meio da cidade faz-me lembrar as jantaradas de erasmus nos parques de Madrid de que sinto tanta falta. Já tentei importar esse conceito para Lisboa, mas não funciona. Não estamos habituados a sentar-nos na relva e a desfrutar de uma pausa a cem por cento. Nós, mediterrâneos por excelência, andamos tão acelerados que nos esquecemos dos prazeres simples. É verdade que a cidade das sete colinas não é o sítio ideal para pedalar, por exemplo, mas temos tantos espaços verdes votados ao abandono e tantos outros mal afamados que é uma pena. Também não temos o hábito tão saudável dos madrilenos e catalãos de encher as esplanadas depois do trabalho e preferimos fechar-nos a sete chaves em casa com medo sabe-se lá do quê. Se eu já passo a vida a tentar contrariar estes costumes, agora que vejo como se vive bem em Amesterdão ainda tenho mais vontade de remar contra a maré. O mais impressionante é que as casas têm as cortinas abertas durante todo o dia e quem passa na rua consegue ver o interior sem que ninguém pareça incomodado com isso. Há um respeito natural pelos outros que dispensa estas barreiras. E depois há as bicicletas, os mercados de rua, os sofás à porta de casa onde se sentam a ler um livro ou a conversar com amigos. É surpreendente como as pessoas parecem descontraídas e confiantes. Ontem, vi uma senhora muito bem arranjada nos seus cinquenta, sessenta, maquilhada e de saltos altos a pedalar e a falar ao telemóvel! Já para não falar naquelas que carregam os filhos, as compras, a mala, as flores à frente ou atrás da bicicleta ou nos rapazes que levam a namorada ao colo e continuam a pedalar sem dificuldade. Acho que me habituava depressa a este estilo de vida urbano em harmonia com a natureza. Haverá algo mais sábio do que equilibrar saúde, ecologia, bem-estar, trabalho e lazer na mesma balança?
Deixámos o Vondelpark e fomos para a Museumplein. O Rijksmuseum tem uma parte fechada ao público e só o vamos visitar se sobrar tempo e realmente nos apetecer. Nas redondezas, há ainda o Museu dos Diamantes, cujas visitas são de graça, e o Museu Van Gogh por onde vamos começar. Afinal, o impressionismo é a minha corrente artística preferida e nunca tive oportunidade de ver de perto a obra de nenhum dos seus mestres! Os impressionistas foram os primeiros a captar a essência do momento irrepetível, a força da luz, o movimento fugaz. Eram apaixonados natos, loucos, visionários. E Van Gogh foi (quase) um autodidacta, que teve a felicidade de viver em Paris no momento certo e conhecer as pessoas certas. O talento revelou-se com a perseverança e é pena que a consagração tenha tardado tanto. No fim, não resistimos e fomos à loja do museu. Comprei alguns postais e uma réplica de um quadro da fase oriental de Van Gogh.
Cá fora, o sol continuava intenso e eu queria procurar aquelas esplanadas que vi ontem de passagem. Fomos sem pressa e quando demos conta já estávamos em Waterlooplein. Da primeira vez que ali passámos não nos apercebemos que tínhamos o rio Amstel a nossos pés! A um passo do famoso mercado desta praça, fica a sala de ópera Stopera, o Museu Histórico dos Judeus e a Sinagoga Portuguesa. E muito, muito perto do local onde tirámos umas belas fotos ao rio fica o bar/esplanada mais giro de toda a cidade: De Jaren. No terraço com vista para o rio, desfrutámos de um fim de tarde delicioso, enquanto saboreávamos uma cerveja. O melhor é que este espaço tem preços muito simpáticos para a média da cidade e petiscos de fazer crescer água na boca.
O sol estava cada vez mais baixo e era o momento certo para visitar o Red Light District. Tinha algum receio, porque o D. não consegue largar a câmera e a zona não tem a melhor das famas. À medida que o sol se escondia por trás dos edifícios, as luzes vermelhas tornavam-se mais convidativas e as ruas que ladeavam as montras mais vistosas enchiam-se de homens. Nós caminhamos devagar, mas ficámos um pouco desapontados. Imaginámos um cenário glamouroso, em que as meninas esculturais tentavam seduzir os transeuntes. Em vez disso, deparámo-nos com umas raparigas muito pouco predispostas para jogos de sedução, muitas vezes a falar ao telemóvel e em poses nada sexy! Concordo com a lei holandesa, que permite a prostituição dentro de portas e proíbe a prostituição na rua. Quer se goste, quer não, ela existe em todos os cantos e mais vale regulamentar, do que assumir uma postura hipócrita e condenar. Todas as partes saem beneficiadas: o Estado ganha um novo imposto, elas ganham em segurança a todos os níveis e os clientes também. Em troca, as profissionais do sexo estão obrigadas a exames periódicos em nome da saúde pública e os donos destes espaços também enchem os bolsos. E o mesmo se passa com as coffeshops e o comércio de drogas leves sujeito a impostos. 100% de consciência, 0% de hipocrisia! Ali, encontrámos a estrada (beco) mais estreita de que há memória e o Bulldog original, criado em 1975.
Aproveitámos os últimos raios de sol, para procurar um restaurante que servisse algo típico e parece que acertámos! Nas últimas noites, temos andado ás aranhas e com a ideia fixa de poupar dinheiro. Como estamos sempre esfomeados e em cima da hora de fecho, o nosso cérebro perde o senso e fazemos sempre escolhas disparatadas. O De Beiaard é uma cervejaria com petiscos holandeses e cervejas para todos os gostos. Só para contrariar, pedimos vinho tinto porque achámos que caía melhor com a tábua de queijos. Espero que os deuses da cerveja não se chateiem e não nos preguem nenhuma partida. Vamos, finalmente, provar as famosas Bitterballen, uma mistura de almôndegas com croquetes. E, com sorte, ainda há tempo para uma tarte de maçã. Logo, conto o resultado destas iguarias!

Dia Três ou Os mortos-vivos

A luta com o intruso na noite passada tirou-nos o sono e não conseguimos sequer recuperar da maratona turística do dia. E, quando eu não durmo ou não como o suficiente, fico tão irritada que ninguém me atura. Mas não há mau humor que resista ao encanto desta cidade! Ao fim de alguns minutos junto aos canais, o stress deu lugar a um estado de contemplação pura. Almoçámos demoradamente num banco de jardim a ver os barcos a passar e partimos à descoberta da zona comercial. No cruzamento da Heiligeweg com a Kalverstraat encontrámos um dos monumentos preferidos do D.: a Diesel Store. Entrámos como em todas as cidades por onde temos passado e comecei a sentir-me observada. Subi para o piso dois para ver a colecção feminina e, quando estou a descer para o rés-do-chão, vejo-o a conversar animadamente com um dos empregados. Qual não é o meu espanto quando os ouço a falar português com sotaque madeirense! Tinham andado no mesmo colégio em miúdos e já não se viam há seis ou sete anos. O novo (velho) amigo veio para a Holanda fazer carreira no futebol, mas as barreiras falaram mais alto e o sonho ficou pelo caminho. Depois apaixonou-se por Amesterdão e por aqui ficou. Chama-se Diego, é natural do Curaçao, foi parar à Madeira por causa da bola ainda criança e diz que quer voltar para lá... um dia. Saímos da loja com a promessa de uma grande festa na noite seguinte e continuámos o nosso passeio.
Precisávamos urgentemente de algo que espantasse o sono e decidimos entrar num daqueles barcos que fazem uma visita guiada pelos canais. Começámos perto da Damrat e corremos toda a zona antiga da cidade, Red Light incluído. Passámos por esplanadas apetecíveis que ainda não tínhamos visto, por uma faculdade e por uma série de outras coisas que eu teria visto se não estivesse de olhos fechados! O sol estava tão forte e o barco era tão abafado, que acabei por me deixar embalar. O D. ia falando comigo, apontava para ali e para acolá e eu acenava com a cabeça sem dizer uma palavra. O que vale é que ele tirou dezenas de fotografias e depois vou poder ver com calma o que perdi... De regresso à Damrat, estávamos ainda mais moles do que no início, mas cedemos à tentação de nos alaparmos numa esplanada. Em vez disso, continuámos a caminhar em direcção a Jordan, para ver a casa onde Anne Frank se escreveu o diário da sua clausura. Pelo meio, ainda provámos as famosas batatas fritas de rua e entrámos no Magna Plaza, uma antiga central de correios que se transformou num centro comercial imponente.
O dia acabou como começou: com uma grande dor de cabeça. Fomos para o nosso novo hotel de malas aviadas - a minha em mísero estado porque tive de forçar o cadeado que teimava em não abrir - e encontrámos um quarto mínimo e por limpar. Lá tivemos que adiar uma vez mais o descanso e aguardar que a recepcionista desse conta do recado. Nem acredito, que estou deitada! O quarto é tão pequeno que temos de economizar espaço e coordenar-nos para nos conseguirmos mexer. esta vez, não há mesmo lugar para intrusos! Amanhã, logo veremos....

Noite Dois ou O quarto assombrado

Definitivamente, não estamos com sorte! Como disse na primeira noite, o Bema Hotel ficou muito aquém das nossas expectativas, mas estava tão cansada que cai na cama como uma pedra. Confesso que dormi muito bem e acordei sem dificuldade com o cheiro a torradas e chá. O pequeno-almoço foi servido no quarto, enquanto eu esfregava os olhos no edredão. Comemos com prazer a admirar a vista: o Concertgebouw brilhava à luz do dia, o jardim em frente ao Rijksmuseum enchia-se de turistas e os locais passeavam-se de bicicleta cheios de estilo. Como não tínhamos jantado a sério, na noite anterior, não trocámos mais de duas frases entre torradas com manteiga e doce, ovos, golos sôfregos de chá e murmúrios de satisfação.
Seguiu-se uma visita exaustiva à cidade, sob o lema "se nos perdermos, tanto melhor." Depois de muitos km de chão, regressámos ao ponto de partida. Não queríamos mais do que uma cama e um travesseiro macio para esticar o corpo. Porém, não estávamos sozinhos! Mal apagámos a luz, começámos a ouvir um ruído esquisito entre o arranhar e o amarrotar. A princípio pensámos que era no quarto ao lado. Fizemos uma vistoria à procura da fonte - possivelmente um insecto - e voltámos a apagar a luz convencidos de que não era nada. O barulho recomeçou em seguida e o D., ao acender o candeeiro, gritou: "O filho da mãe está no teu saco!" Nem podia acreditar: tínhamos um (ou seriam mais?) rato no quarto. Agora, batia tudo certo! O caixote de plástico com o letreiro "Não deixe comida fora deste recipiente.", a pressa do empregado em recolher o tabuleiro de manhã, a simpatia desmedida da recepcionista... Já nem me lembrava que tinha um resto de pão no saco e o Bema Mouse não perdeu tempo e fez o gosto ao dente enquanto tentávamos dormir! Resolvemos atirar o saco pela janela para acabarmos com a praga de uma vez por todas. E, antes de nos entregarmos a descanso, fizemos uma última vistoria que nos deu cabo dos nervos: o nosso companheiro roedor (ou um dos seus amigos) escondera-se atrás das malas. O D. passou-se e eu fiquei meia histérica, meia inerte. Não sabia sequer que tinha medo ou nojo ou lá o que era aquilo de ratos. Ele convenceu-me a deixar o quarto e encarregou-se de tirar de lá tudo o que nos pertencia não fosse o Bema Mouse fazer das suas. A mim cabia-me a tarefa de acordar o recepcionista e contar o sucedido. O rapaz ficou mais aturdido por o ter despertado do que surpreendido com a história. Da conversa surreal que tivemos nessa noite só me consigo lembrar deste trecho: "Oh, God! Amsterdam is full of mice. I had some in my old house and I lived well there. Are you sure you want another room?"
Deixámos o hotel na manhã seguinte com os trolleys pesados na mão e o dinheiro nos bolsos. Esta curta estadia não deixou saudades e, como recuperámos todo o dinheiro, fomos em busca de melhor. Decidimos ficar no bairro dos museus e começámos a bater à porta. Tudo cheio e demasiado caro. Ás11h30, deram-nos sinal verde no Quentin Hotel e estávamos tão fartos de arrastar a tralha que nem pensámos duas vezes.

Noite Dois ou Um italiano nos Paises Baixos

Há tantos italianos por metro quadrado em Amesterdão, que a cabámos por esbarrar num deles. A nossa primeira opção era o Cobra, junto ao Rijksmuseum, que, segundo o guia, é "uma excelente mostra da cozinha holandesa." Batemos com o nariz na porta, porque havia lá uma festa e fomos pregar para outra freguesia. De volta à Leidseplein a razar as 22h00, o Ristorante Pepino conquistou-nos pela variedade e pelos preços acessíveis. O D. pediu Tortellini Gratinado e eu fiquei-me pelo Tagliatelle À La Putanesca. Já comi melhor, mas fiquei bastante satisfeita e sem espaço para as panquecas com que sonhei toda a tarde!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Noite Um ou O Primeiro Repasto

O Manchester ganhou nas grandes penalidades e o meu estômago continuava a dar horas. O Cristiano Ronaldo também devia estar com dores de barriga a julgar pelas lágrimas que derramou por ter falhado um penálti. O bar onde vimos o jogo já tinha a cozinha fechada às 22h00. Os restaurantes onde batemos à porta quando a partida terminou também. Indicaram-nos o De Knijp* e nós não nos fizémos rogados. Comemos duas entradas deliciosas de tamanho mínimo. Não porque a fome fosse pouca, mas a carteira pedia moderação. Eu escolhi lasanha de peixe e o D. nacos de borrego, que até hoje estamos para saber de que parte do bicho eram. Ele está maravilhado com a cerveja - desta vez, Amstel - e eu esperei até ao fim da refeição pela minha bebida. No fim, pagámos €10 cada, porque o couvert não se pagava e a minha bebida nunca chegou. E assim, começa a nossa aventura na terra das bicicletas, dos canais e (porque não?) dos rapazes giros!

* Van Baerlestraat, 134
www. deknijp.nl

Noite Um ou A Primeira Desilusao

Aterrámos em solo holandês à hora exacta. A fama do aeroporto não o desfavorece em nada. Schiphol é tão imponente e movimentado quanto dizem, mas é fácil andar por lá sem perder o norte. As malas não demoraram mais de vinte minutos e num instante estávamos na plataforma para apanhar o combóio. Vinte minutos depois, chegámos ao centro da capital, mais concretamente à caótica Centraal Station. Os avisos pendurados por toda a parte exigem precaução: "Beware of the pickpockets!" As bicicletas espalhadas por todos os cantos, marca inconfundível de um povo que sabe viver, mostram-nos que estamos no sítio certo. E ali vai o nosso eléctrico. "Wait, wait, please. Do you stop in Museumplein?" À primeira vista, a cidade está toda em obras... O eléctrico faz um percurso sinuoso e, por enquanto, só vejo buracos e mais buracos, gruas e cimento. "Ok. É aqui."

Ah, agora sim. O Concertgebouw é belíssimo! O edifício, idealizado por Van Gendt, abriu as portas em 1888 e é considerada uma das melhores salas de espectáculos do mundo*. O interior á grandioso e o cartaz digno de respeito. Pena é não termos chegado a tempo dos famosos concertos gratuitos, às quartas ao almoço!

O Bema é já do outro lado da rua e a vizinhança parece tranquila e agradável. Já refeitos da subida das íngremes escadas, reparámos que a realidade era bem mais gasta e deslavada do que as fotografias publicadas no site do hotel. Na recepção, fomos muito bem tratados pela Nela, uma senhora com maquilhagem à drag queen muito simpática, que recebeu o pagamento adiantado de cinco noites e nos encaminhou ao quarto número 7. A desilusão devia estar estampada no meu rosto, porque mal entrámos ela perguntou-nos dezenas de vezes se não tínhamos gostado! Respirei de alívio quando ela nos deixou a sós e pude por fim dizer de minha justiça. Como já devem ter reparado, sou bastante crítica e exigente, mas será que se podia pedir mais de um quarto duplo por €70 com pequeno-almoço? Provavelmente, não e agora não havia nada a fazer. Afinal, íamos passar tanto tempo fora, que este era o menor dos nossos problemas. Soltei uma gargalhada e deixei o quarto atrás das costas. O Chelsea e o Manchester já estão a jogar e ainda temos de encontrar um bar com televisão e algo para comer...

*A fadista portuguesa Ana Moura actuou lá ontem, dia de Portugal

Dia Um - 21.05.08

Acordei ansiosa e com o corpo dorido. Acontecia-me o mesmo antes de ir para o Algarve de férias com os meus pais quando era pequena. Ficava impaciente, mal conseguia dormir e chegava a doer-me o estômago! Era um misto de medo do desconhecido, curiosidade e pressa de partir à descoberta. Já sabia que me esperavam várias horas de estrada - 500 km de distância aos cinco anos parece-nos o outro lado do mundo - e mal podia esperar para pôr o pé na areia torrida. Aguentava-me bem desperta durante todo o caminho e era a primeira a correr para a piscina mal chegava ao destino. Naquelas semanas longas, água, areia, gelados e noites bem passadas com os meus pais, tios e primos eram o suficiente para me sentir a criança mais feliz do planeta. Bons tempos!

Hoje, senti-me novamente menina. Dormi pouco, tive um sono agitado e acordei cheia de pressa. Nada de novo, porque eu estou sempre com pressa para ir a algum lado! Arranjei-me num ápice e corri para a internet para ultimar os detalhes da nossa estadia. Ainda não sabemos bem quantos dias vamos ficar em Amesterdão. O tempo logo o dirá. Agora o importante é saber onde fica exactamente o Hotel, porque vamos chegar à tardinha e o D. quer ver a final da Liga dos Campeões. E, como a mim os grandes desafios também me fascinam, faço-lhe companhia com muito gosto.

O Bema Hotel fica no número 19 da Concertgebouwplein. Mesmo em frente à principal sala de espectáculos de música clássica da cidade e a poucos metros dos dois museus mais visitados, o Van Gogh e o Rijksmuseum. Óptimo! Basta apanhar o combóio do aeroporto de Schipohl para a Central Station e, depois, o tram 16 deixa-nos quase à porta. Bem, tenho de correr para apanhar um táxi. O D. atrasou-se (um pouco) como sempre e não quero chegar em cima da hora. Holanda, aqui vou eu!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Dia Zero - 20.05.08


As viagens começam muito antes da partida. Há reservas para fazer, roteiros para planear e e_mails para avisar os amigos que nos esperam do outro lado desta aventura. Como sempre, deixámos tudo para a última e a nossa vontade era não marcar absolutamente nada. Acabámos por tomar a decisão mais ponderada de reservar a estadia em Amesterdão num hotel em conta, onde não fosse precisa caução e pudéssemos mudar de ideias sem ter de pagar nada por isso. Depois de várias pesquisas, conseguimos o local perfeito. Correcção: o local adequado ás nossas intenções, compatível com a carteira e, sobretudo, DISPONÍVEL! Para ser sincera, não estava muito entusiasmada, mas não encontrámos mais nada livre!

Com este problema resolvido, era altura de confirmar com o meu amigo Julien se podíamos ficar em casa dele em Bruxelas daí a cinco dias. Assim, matava dois coelhos de uma cajadada só: retribuía, finalmente, a visita dele e poupávamos uns euros preciosos para descobrirmos mais coisas. Com um bocado de sorte, ele até nos mostrava a capital belga como os turistas não a conhecem.

E, depois, as malas. Coisa simples para os mais práticos, mas um verdadeiro dilema para mulheres como eu que conseguem debater-se durante horas com questões como "Levo botas ou não?", "Será que vale a pena levar sandálias?", "Três casacos chegam?", "E se não me apetecer vestir nada disto?". Ainda consultei as previsões do tempo na net, mas continuava indecisa sobre o que levar. Como sempre. Com a mala fechada, levantava-se outro problema: o peso. Respirei de alívio quando a balança marcou 11 quilos e tentei convencer-me que era um peso aceitável para arrastar durante oito dias!!!!

Escolhi um livro de contos do Mia Couto e a "Crónica de uma morte anunciada" do Gabriel Garcia Marques - oferecido pela L. e pelo P. no meu aniversário -, para me acompanharem e pus na mochila o City Notebook de Amsterdam da MOLESKINE - outro belo presente de aniversário. Com a mochila ás costas e o trolley na mão estava pronta para arrancar!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Abaixo a injustiça!


Cresce em mim uma revolta desmedida. A pouco e pouco, perco o amor por este pedaço de chão a que chamo berço. Ao mesmo tempo, perco o amor-próprio, a motivação, o brio. De tempos a tempos, invade-me um desassossego inexplicável. Segue-se o conformismo e a apatia. E, no fim, regresso exausta à raiva. Raiva do estado do Estado, do estado das coisas e, sobretudo, do estado das pessoas!

Tenho pena de ter nascido nesta geração desprovida de ideais, voz política e força anímica. A geração mileurista, de Bolonha, da Europa aberta, das viagens low cost, do emprego precário, das qualificações desvalorizadas. Invejo os meus pais, não pelas oportunidades que não tiveram, mas pelo fulgor contestatário da sua juventude. Nós crescemos rodeados de facilidades, descobrimos as maravilhas das novas tecnologias ao mesmo tempo que as letras e os números, aprendemos que podemos ter tudo aquilo que queremos. Ensinaram-nos que tinhamos de estudar muito para ser alguém na vida e disseram-nos que o ensino superior nos abriria portas. Pelo caminho, habituámo-nos a ouvir falar de cunhas e da corrupção em geral ao ponto de acharmos tudo "normal". Depois, veio a crise económica do país, o primeiro emprego, o desemprego, os recibos verdes e os lamentos nos cafés de Domingo. Sobraram-nos algumas facilidades, a eterna dependência dos nossos queridos progenitores - fartos de trabalhar e a merecer algum descanso -, mas é inevitável que nos falte o chão.

De quem é a culpa? Dos nossos pais que nos iludiram com promessas de uma vida que só os filhos de alguns podem ter? Não. Também eles se acomodaram às facilidades dos tempos e foram apanhados desprevenidos. Será do Estado? Não só. E terão os nosso caros governantes contas a prestar? Também. E nós, população em geral, será que podemos lavar as mãos? Não me parece.

Não sou socióloga, nem muito menos especialista no que quer que seja. Sou uma mera cidadã inconformada com o meu (nosso) comodismo, farta dos aumentos dos impostos, do salário inglório, do desemprego em cada esquina e da falta de consciência de comunidade. Sonho com uma revolução profunda! Mas será que nos arriscariamos a tanto?

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Videos pedidos

Ao que parece, em Tavira as cadeiras andam pelo ar! Se calhar é por causa do aquecimento global e é preciso alertar o Al Gore e a sua trupe para este fenómenos. Ou então, os algarvios passaram-se de vez e venderam aquele pedaço de terra a uma produtora de séries de ficção científica. Será que mudaram o nome para Allgarve? Ah, não, afinal é só um festival de performance e os tipos* filmaram as cadeiras em estúdio e socorreram-se de uns efeitos especiais e tal e coisa. Ufa, já estou mais descansada! Até o D. ficou espantado quando uma das cadeiras passou a razar-lhe a cabeça...



*PROCU.ARTE e dois ilustres alunos Restart

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Um cheirinho a Amsterdam...

Não, não vou começar a contar tudo assim de chofre! Para aguçar a curiosidade, deixo-vos um video do Club 11, o espaço mais perto do céu onde já estive. Com um ambiente muito próprio, uma decoração que nos remonta ao submundo da noite e uma vista panorâmica sobre a cidade, é sem dúvida o espaço do momento. Mas não o será por muito mais tempo! É que o edifício onde se encontra será demolido em Julho para dar lugar a um novo complexo habitacional junto às docas (Oosterdokskade). Com o fim à espreita, o Eleven prepara 11 festas inesquecíveis nas suas últimas 11 noites de vida. Let the countdown beguin!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A mil a hora

Não tive tempo para vir aqui. Entre viagens, deixei o PC desligado e limitei-me a despachar o trabalho chato na redacção. Tive de fazer, desfazer e refazer malas, planear roteiros e sonhar acordada. Ontem, acordei em Bruxelas, passei a tarde em Amesterdão e dormi em Lisboa. Hoje, tenho pela frente o Mac cheio de páginas brancas à espera de serem escritas. Em breve, terei mais tempo para narrar as minhas aventuras em Natal (RN, Brasil) e as novidades fresquinhas (ou serão quentes?) dos Países Baixos. Tenho um Moleskine todo escrevinhado que não tarda nada saltará para as páginas do blogue. Até já!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Vinte e cinco

Dentro de menos de 24 horas, completo este número redondo de anos. Há quem diga que é um quarto de século. Eu prefiro pensar que a minha história ainda mal começou. E que neste caminho acumulei mais tropeções do que arrependimentos!

"25 years and my life is still
I'm trying to get up that great big hill of hope
For a destination."

What's Up, 4 Non Blondes

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pela estrada fora


"As únicas pessoas autênticas para mim, são as LOUCAS, as que estão loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, as que não bocejam nem dizem nenhum lugar-comum, mas ARDEM, ardem, ardem, como fabulosas grinaldas amarelas de fogo-de-artifício a explodir!"

Jack Kerouac, a minha eterna companhia de viagens

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O regresso...

Penoso, em parte, necessário, por outra. O corpo já chegou a esta banda do Atlântico meio entorpecido. A cabeça vagueia pelo limbo. Atordoada pelo turbilhão de emoções, desgastada pelas escassas horas de sono. Por isso, as novidades do outro lado do charco ficam para amanhã. Ou para depois. Como dizem os nordestinos: "Tem pressa, não!"

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Nem tudo sao espinhos...

E como a excepção confirma a regra, no Sábado tive uma das maiores demonstrações de gentileza num parque de estacionamento. Tinha acabado de estacionar na Praça do Principe Real, seguindo a indicação do arrumador - que já conheço e é sempre muito solícito - quando desata a chover a rodos. Pensei ficar por ali a ouvir um pouco de música até o sol voltar, mas ao espreitar pelo vidro reparo que ele estava junto à porta a segurar um guarda-chuva para que eu não me molhasse ao sair. Fiquei rendida com tamanha simpatia!

Grande lata!

Quem costuma frequentar o Fonte Nova, ali em Benfica, sabe bem que no parque de estacionamento os arrumadores brotam que nem cogumelos. O mais curioso é que os lugares são tantos e tão fáceis de encontrar que a ajuda se torna completamente dispensável! Ora, eu que sou moradora deste simpático bairro e pouco adepta de grandes superfícies, desloco-me a este centro comercial de dimensões mais simpáticas com bastante frequência. E, claro, assim que estaciono , tento despachar-me para escapar ao "Tem alguma coisa para me ajudar?" do costume. Provavelmente, isto foge ao politicamente correcto, mas que atire a pimeira pedra quem já não fez o mesmo.

Moralismos à parte, ainda esta semana passei por uma situação bastante caricata, que veio validar a minha conduta. Estava eu a sair do carro e um deles abeirou-se a correr - até aí estava traquilamente sentado no passeio a trocar impressões com um colega e a beber uma cerveja - com a frase certeira "Oh, jovem não me dá uma ajuda para comer?". A resposta tantas vezes repetida saiu-me natural: "Dou depois, que agora não tenho." Por acaso, até era verdade e, pelo sim pelo não, tinha uma moeda pronta no regresso. Não me demorei muito e, quando já estava dentro do carro, o jovem bate-me ao vidro - depois de deixar o seu poiso e a cerveja - para reclamar o que lhe era devido pelo árduo serviço que me havia prestado. Entreguei-lhe a moeda e segui. Qual não é o meu espanto, quando o apanho especado a fazer-me sinais e a dizer: "Vinte cêntimos? Isto não dá para nada!"

Se calhar, estava à espera que lhe pagasse uma grade de cerveja para aguentar o trabalho pesado!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Bipolar

Não gosto que me toquem na cabeça ou mexam no cabelo. É uma invasão que me tira do sério.

Adoro mexer no meu cabelo molhado. Entrelaço-o nos dedos. Penteio e depenteio. Sacudo-o e seco-o demoradamente. Gosto de senti-lo junto à nuca, curto e macio.

E perco a cabeça quando me tocas no cabelo de mansinho quando estou distraída.

Afinal, até o toque é relativo...

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Desilusao no Bairro Alto


Já alguém tentou marcar uma mesa para jantar em Lisboa ao Sábado, assim um bocado em cima da hora? Este fim-de-semana calhou-me a mim essa árdua tarefa e foi desesperante. Não fosse a ocasião importante e teria optado por ir ao perder como diz a R., ou seja, tentar a minha sorte sem nada marcado. Quando já estava quase a desistir, consegui fazer reserva na Mercearia da Comida, na Rua da Barroca. Em tempos, tinha espreitado pela porta e parecia-me ser acolhedor o bastante para este jantar tardio. O espaço era engraçado, com uma decoração despretensiosa e ao que parece inspirada numa mercearia portuguesa à antiga. Gostei do ambiente, das caixas de fruta a servir de molduras e ao fim de poucos minutos lá dentro já estava a salivar - como sempre! Metade pelo avançar da hora, metade pelo cheiro do leite creme que tinham servido na mesa ao lado. Devorei o menú com os olhos, enquanto saboreava as azeitonas (óptimas por sinal!) e acabei por decidir-me pelo Bacalhau com Espinafres à Tia não sei das quantas. A sangria com muita hortelã como se quer chegou passado pouco tempo e manteve-nos entretidos durante os dez minutos de espera. - Que rápido! - disse eu. O meu estômago ficou radiante, mas os meus olhos nem por isso. O lombo recheado que também veio para a mesa acompanhava com um pouco de arroz branco e com uma salada muito parecida com aquelas que se compram embaladas. E o meu bacalhau não me despertou a gula que esperava! Mas como a aparência não é tudo, pensei que o sabor estaria à altura das minhas expectativa. À primeira garfada, as minhas ilusões cairam por terra. O bacalhau não sabia a nada e parecia que tinha sido cozido e não tinha levado qualquer tipo de condimento. Depois - pasme-se -, estava coberto por uma espécie de puré instantâneo com água a mais e uns espinafres igualmente sem sabor. No topo, um pouco de queijo e pão ralado para dar um ar de gratinado, que nem os meus olhos conseguiu convencer. Comi, poque tinha fome, mas o deconsolo na minha cara devia ser mais do que evidente. Os meus companheiros de mesa ficaram mais ao menos com a mesma sensação e o que vale é que a sangria nos subiu depressa à cabeça!

Não sou crítica nem nada que se pareça, mas tenho tanto voto na matéria como qualquer outro cliente. E tendo em conta que não estava a jantar em nenhuma tasca e os preços embora não fossem assustadores também não eram assim tão baixos, exigia-se um pouco mais de qualidade. Ah, e por falar em tascas, o Toma Lá, Dá Cá da Bica já me proporcionou experiências gastronómicas bem mais agardáveis e em conta.

Tive pena de não experimentar o leite creme, que dizem (na net) ser delicioso, mas o meu estômago já não tinha mais espaço para desilusões...

Vergonha a portuguesa

Quem trabalha em Queluz de Baixo já se habituou às crateras da estrada e apelida carinhosamente esta povoação de Cabul de Baixo. Pelo menos foi assim que me apresentaram esta terra de ninguém logo no primeiro dia na redacção. Adiante... Há algumas semanas, iniciaram-se os trabalhos para a melhoria da rodovia. Filas de trânsito à parte, era uma excelente notícia para quem tem de fazer o trajecto Lisboa-Queluz de Baixo diariamente. Porém, agora que podemos desfrutar de um tapete de alcatrão a estrear e livre de buracos, temos de nos desviar constantemente das tampas de esgoto demasiado altas! Eu pergunto-me: até quando os responsáveis por estas obras tão bem planeadas vão continuar a gastar disparatadamente o dinheiro dos contribuintes? Será que era muito difícil antever este tipo situações? E de quem é a culpa afinal?

Se alguém souber as resposta, sou toda ouvidos!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Who is Jude Quinn?


Quem diria que a Cate Blanchett daria um Bob Dylan tão sexy?

Não sei se é do ar alucinado ou do tom trocista, mas esta é a fase (ou face) que mais me fascina dele. Deu, sem dúvida, uma bela lição à imprensa moralista da época e aos fãs que reclamavam por coerência. Podia ter escolhido o caminho mais fácil e seguir a carneirada. Preferiu cortar as amarras e seguir um trajecto mais turtuoso. Acusado de vendido, falso, insolente e pretensioso, foi coerente com a sua própria vontade. E será que devemos contas a mais alguém? Quanto a mim, a unidade de espírito é uma anormalidade. Somos seres diversos, que sentem e comunicam de forma diversa, em diversos momentos. O resto? São tretas.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Apetecia-me...

...que me sussurrassem isto ao ouvido.



Fascinação, Elis Regina

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Treze

Na blogosfera, descobri que o sexo tem mais regras que o rugby! Segundo um estudo (científico) publicado no Journal of Sexual Medicine, uma relação sexual (ou a penetração como eles simplisticamente lhe quiseram chamar) que dure mais de 13 minutos é considerada "demasiado longa". Quer isto dizer, meus caros, que essa história que andaram para aí apregoar de que o sexo faz bem à saúde às tantas também não é verdade. É que se uma pessoa se for a guiar pelos valores padronizados a que estes senhores chegaram ainda arranja uma valente dor de cabeça! Ou pior: uma patologia qualquer do foro psicológico ou sexual. Senão, vejamos os números da "normalidade":

1 a 2 minutos = demasiado curto e insatisfatório
3 a 7 minutos = adequado
7 a 13 minutos = desejável
Mais de 13 minutos = demasiado longo

Agora, já sabem: nada de rapidinhas e nem pensem em meter-se em aventuras de sexo tântrico. A ordem é para controlar o prazer e mantê-lo dentro dos limites do aceitável. Tal como diz O Coiso, esta é uma péssima notícia para os atletas sexuais de velocidade, que vão ter de aprender com os mais lentos. E os maratonistas podem esquecer aquele misto de prazer e alívio que sentiam ao cortar a meta ao fim de uma longa jornada. É que tudo o que ultrapasse os 13 minutos é uma perda de tempo!

Acho que vou passar a tomar notas para ver se sou normal...

fonte: www.ocoiso.net

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A espera...

Porque será que me identifico com este retrato?

"He's never early, he's always late
First thing you learn is you always gotta wait
I'm waiting for my man."*

E atenção que não sou eu que me faço esperar...

*I'm Waithing For My Man, Velvet Underground

Saudosismo

Ás vezes, dou por mim a trautear


"Too young to hold on and too old to just break free and run."*


As palavras do Jeff têm sabor a passado, a feridas por sarar, a ressaca e a sonhos. Recordam-me os meses em Madrid. Acompanharam-me nas grandes decisões. E, de quando em quando, regressam para me lembrar que só a intensidade com que vivemos justifica a nossa existência.

*Lover, You Shouldn't Come Over, Jeff Buckley, 1994

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O Indie e eu...


...não temos tido uma relação fácil. Ou por outra, não nos temos relacionado de todo. Com muita pena minha, temo-nos desencontrado. É sempre assim: quando ele se prepara para me mostrar as novidades do cinema independente, surgem compromissos inadiáveis que me arrastam para longe dele. Por isso, este ano prometi a mim mesma que não ia perdê-lo de vista! E, claro, o destino tentou afastar-nos de novo... Tudo por causa de uma viagem ao Brasil marcada à três pancadas sem ter em atenção este pormenor. Respirei de alívio quando confirmei que as sessões teriam início na noite de 24 de Abril, o que me deixa com dois dias para desfrutá-lo. Saber-me-à a pouco? Talvez, mas as relações fugazes por vezes são mais intensas e deixam (quase) sempre um sabor especial.

Este ano, o Indie vai dar-nos música! Uma excelente surpresa, sobretudo para mim que vou poder (re)encontrar o Lou Reed no Teatro Maria Matos, às 23h45, do primeiro dia do certame. Se fosse em pessoa era ainda mais interessante, mas já fico contente com o filme de uma série de concertos gravados em 2006. Com um pouco de sorte, consigo também assitir à ante-estreia de My Blueberry Nights, de Wong Kar Way, umas horas antes, no Cinema São Jorge. No dia seguinte, tenho encontro marcado com os Joy Division, ou melhor, com o documentário homónimo assinado por Grant Gee. Apaixonei-me por eles quando me preparava para ver o Control, de Anton Corbijn, e a minha curiosidade acerca dos rapazes de Manchester ainda não está satisfeita. Por ver, vai ficar a adaptação de Terra Sonâmbula para o grande ecrã, entre muitos outros. Como eu invejo a Teresa Prata por realizar um filme a partir de uma obra de um dos meus escritores preferidos, Mia Couto. Resta esperar que cheguem ao circuito comercial!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Transformer



Ontem, dormi com o Lou Reed. Na cabeça e nos ouvidos, entenda-se. Acordei com ele a sussurrar-me e com uma série de imagens do submundo novaiorquino das décadas de 60 e 70 a povoar-me o imaginário. Senti um arrepio na espinha e uma imensa vontade de ter nascido noutro tempo, noutro lugar, noutro corpo. Como ele um dia o desejou

"I wish that I was born a thousand years ago
I wish that I'd sailed the darkened seas
On a great big clipper ship
Going from this land here to that
I put on a sailor's suit and cap"*

Tudo isto por causa do documentário Rock & Roll Heart: Lou Reed**, que me revolveu as entranhas e mexeu com medos antigos. No meio de todo aquele desfile de excentricidade e poesia, destaco as palavras sábias que Warhol lhe dirigiu. Qualquer coisa como

"És demasiado preguiçoso, Lou. Se queres ser poeta tens de trabalhar. Quantas músicas compuseste hoje? O trabalho é a única coisa importante. Sem trabalho, não há criação. Eu sei que podes dar muito mais do que dás."

Acho que o carapuço também me serviu a mim! E, quanto ao Lou Reed, tenho a sensação que não vou resistir à apresentação de Berlin*** no Campo Pequeno para reviver o que nunca vivi. É já a 19 de Julho.

*Heroin, The Velvet Underground and Nico, 1967
**de Timothy Greenfield-Sanders
***1973

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Sonha comigo, por favor

(Para ler ao som de um clássico nas vozes da realeza do jazz.)




Dream a little dream of me, Ella Fitzgerald & Louis Amstrong

Ela mostrava-se fria e distante. Por dentro ardia. Ele olhava-a de soslaio e denunciava-se em cada gesto. Por dentro receava dar um passo em falso. Falavam horas a fio de trivialidades, pequenos nadas, coisas tontas e sem sentido. Mudos contavam segredos que desconheciam. Pelo meio, o silêncio. Umas vezes incómodo, na maioria revelador. Por vezes, tocavam-se sem querer. O corpo estremecia em sinal de alarme e recuavam em seguida como se nada fosse. Ele não sabia o que dizer. Ela não sabia o que sentia. Depois, cada um seguia o seu rumo. Ela voltava para o seu mundo certinho. Ele para a companhia da solidão.

As noites custavam mais. Ela tinha medo do escuro. Ele iluminava-o com o brilho do olhar. Até que um dia ele lhe disse baixinho:

"Será que posso sonhar contigo?"

Ela quis gritar que sim. A voz sumiu-se e não conseguiu dizer nada mais do que

"Boa noite. Dorme bem..."

No escuro do seu quarto, ela adormeceu com um sorriso nos lábios. E sonhou com ele toda a noite.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Moleskine

Ainda bem que hoje levei o meu Moleskine à rua. De outra forma, não poderia registar esta pérola:

"Acredita jovem-cidadão-deste-país-e-do-mundo somos boas pessoas. Somos boas pessoas, pá! É por isso que a gente se encontra e há-de se encontar. É Primavera, pá!"*

É por estas e por outras, que faz tão bem andar na rua. Só é pena não poder fazer como uns e outros e mandar o trabalho para trás das costas para aproveitar o bom tempo. Fiquei-me pelo fim de tarde. E soube-me bem!

*by anónimo-cidadão-deste-país-e-quiçá-do-mundo

O escaravelho ainda mexe


Depois de um mês no Palácio do Sobralinho, a Inestética Companhia Teatral está de malas aviadas. O destino é a capital e o objectivo apresentar um bom espectáculo. A adaptação de A Metamorfose assinada por Rita Leite e Alexandre Lyra Leite sobe ao palco do Teatro da Politécnica de 9 a 13 de Abril, ás 22h30. Vão ver que vale a pena!

Agora, só falta mesmo a peça chegar à minha terra natal: Estarreja, esse grande polo cultural. Até rimou!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Help!


Desapareceu tudo deste blog e não consigo fazer nada!!! Será que alguém me ajuda?! Agora que começava a sentir-me em casa no Vertiginosamente, os meus posts e demais atalhos eclipsaram-se! Ficou apenas a mensagem mais recente e o título do blog, sem que eu perceba como é que isto aconteceu. Estragou-me o dia...

terça-feira, 1 de abril de 2008

O Mundo por um pouco de silencio!

Nunca me questionei em demasia acerca da vida para além deste nosso húmilde planeta. Não porque não seja dada a grandes divagações, mas porque até à data me sinto bem nesta terra rodeada por água. Nem mesmo as especulações acerca da sua condição finita e a febre ambientalista que está tão na moda, me fizeram olhar mais para o espaço, esse imenso desconhecido. Confesso que não resisto ao apelo do céu em noites estreladas ou de lua cheia. Quanto às viagens interplanetárias nunca me despertaram particular interesse... Mas a vida dá tantas voltas que neste momento dava tudo por espaço livre a perder de vista e o barulho do silêncio. Sim, porque a instalação no meu novo posto de trabalho não está a ser nada pacífica. Não convivo bem com a confusão sonora e a desorganização em geral e neste open space a desordem impera! Acabou-se o sossego do meu mega escritório, ultra organizado e traquilo... Já diziam os antigos: "Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe!"

Deixo-vos com o David. As saudades que eu tinha de ouvir isto!



David Bowie, Life On Mars?

segunda-feira, 24 de março de 2008

Lucky days...

Não é todos os dias que nos cai uma viagem de bandeja! Em trabalho - e até um pouco contariada - ainda acontece, agora uma passagem de avião para curtir os trópicos é só para alguns ;) Não queria usar este humilde blog para me gabar da sorte, mas não consegui resistir... Pois é, meus caros, vou para o Brasil visitar o meu maninho em Abril! O sol, o mar e umas ondinhas para (quem sabe?) surfar estão à minha espera.



Como se isto não bastasse, em Maio, vou namorar para Amesterdão e rever amigos que não vejo há muito. Vou com o D., como sempre, perder-me pelas ruas da cidade e encontar pequenos tesouros só nossos. Espero também pedalar muito, apanhar um ou dois combóios para outras paragens e voltar com um sorriso nos lábios



Se a isto juntarmos, um início de 2008 idílico na Madeira, este é sem dúvida o ano das minhas viagens!

terça-feira, 18 de março de 2008

Aquele beijo



Do mesmo realizador de 2046 e In the mood for love, My Blueberry Nights é um filme delicioso sobre a busca. Wong Kar Way transporta para os Estados Unidos o universo onírico e surreal a que já nos habituou nas películas filmadas no oriente em torno do tema de sempre: o amor. Fugaz, eterno, intenso, cortante, desmesurado... Como se quer! Tudo isto com uma fotografia perfeita com cores vibrantes como as dos nossos sonhos e uma banda sonora irrepreensível. Norah Jones, Rachel Weiz, Jude Law e Natalie Portman figuram neste elenco de luxo.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Vermelho de Rita


Duas filas intermináveis de gente impaciente. "Será que cabemos todos?" "Será que vamos conseguir entrar." "Às tantas não vale a pena esperar..." "Vá lá, não sejas pessimista!" "Já me doem os pés." Mais uma hora de espera. Mais uns quantos quilos de ansiedade e outras tantas unhas ruídas. "Olha, afinal dava para fazer reserva." "Oh, agora é que não entramos mesmo..." Mais uma boa dose de esperança ou a inevitabilidade da Lei de Murphy. "A outra fila está andar mais depressa!" A luz ao fundo do túnel: "Quantos são?" "Cinco." "Podem entrar, por favor." Mais um suspiro de alívio e as bebidas da praxe. Mais uma data de encontrões em busca do lugar perfeito. "Daqui não vejo nada." "Xiuuuuu! Vai começar!"

Contas feitas, foi um concerto fantástico! Tirando uma ou outra falha técnica perdoável, foi uma estreia à altura da menina da voz bonita. Só não consegui ver se ela tinha realmente RED SHOES!

quarta-feira, 12 de março de 2008

quinta-feira, 6 de março de 2008

A hora do inferno


Tenho 20 000 caractéres para escrever e só me apetece encostar a cabeça ao teclado e dormir uma sesta! Oh God, será que não dá para saltar da uma logo para as quatro da tarde? É dose...

quarta-feira, 5 de março de 2008

Chapéus

Naquela manhã sombria, a Dona Ermelinda tinha envelhecido dez anos debaixo do chapéu negro, onde escondia as lágrimas e o desgosto. Saiu compenetrada, amarrou o choro e vestiu o papel de viúva redimida e silenciosa. Nem sempre fora assim, a Dona Ermelinda. Quem a conheceu noutros dias mais soalheiros, dizia que era impossível resistir à sua simpatia e simplicidade. Quando os seus olhos verdes rasgados e vivos espreitavam por debaixo do enorme e rude chapéu que envergava na sua juventude, tudo se enchia de alegria. Ninguém ficava indiferente a tanta beleza e ingenuidade. Recordo outro chapéu memorável na vida da doce Ermelinda. Não devia ter vinte anos completos, quando recebeu envergonhada um inesperado presente de um jovem da aldeia. Um simples chapéu de palha com uma fita preta às bolas brancas. Simples, mas diferente como Ermelinda. Jamais se esqueceria daquele fim de tarde junto ao mar. Era Outono e o seu amável pretendente tocava-lhe suavemente na mão. "Que bem te fica esse chapéu", dizia ele a medo, enquanto o rosto dela se enchia de cor. Tenho a certeza que era neste chapéu que a minha avózinha pensava, quando secava as lágrimas naquela manhã sombria em que via pela última vez o meu avô.

No Tabus


Depois de fazer rolar a cabeça de um subordinado afoito, Lucy Liu no papel de Queen Of Crime Council proferiu estas célebres palavras:

"I promise you right here and now that no subject will ever be TABU! Except of course the subject that was just under discussion..." (Kill Bill)

Aqui, não rolarão cabeças... prometo!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Frase do dia

"Não procures o príncipe encantado. Procura antes o lobo
mau: vê-te melhor; ouve-te melhor e ainda te come."

Sim, esta frase foi proferida aqui no estaminé de Queluz de Baixo. Sem dúvida, um sábio conselho para o fim-de-semana. Não vá a malta confundir o príncipe encantado com o lobo mau e ficar a chuchar no dedo!

Ate que enfim!!!!



Passadas 300 horas e 3000 caracóis, finalmente consegui postar um vídeo... Coisa simples para qualquer cibernauta de meia-leca, mas demasiado rebuscada para esta vossa amiga, que gosta mesmo de complicar!

E como este é o primeiro vídeo do resto da minha vida, nada melhor do que a Naive, dos The Kooks. Porque me lembra o Verão, as noites a um passo do mar, os sorrisos dos amigos, o bronzeado, as extenuantes aulas de surf e muitas outras coisas. Afinal, era esta a música de fecho do Café da Praia, uma espécie de Vitinho, que nos convidava a beber ali mais um (ou dois) copos e ir para outro lado!

A nao perder!




A Companhia Teatral Inestética leva à cena A Metamorfose, a partir da obra homónima de Kafka. Rita Leite e Alexandre Lyra Leite reinventaram o universo kafkaniano e o resultado é uma peça recheada de humor negro e de momentos de comédia física brilhantes. Tudo isto numa roupagem muito mais fresca do que o esperado, que surpreende, mas não desilude. O trabalho da coreógrafa Catarina Trota merece especial destaque, assim como as interpretações de Margarida Cardeal e Isabel Galvão. Sobe ao palco do Palácio do Sobralinho, Vila Franca de Xira, de quinta a Sábado, ás 22h00, e Domingo, ás 21h00. Até 30 de Março.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Singin' in the rain



Porque nem tudo é cizento nesta triste segunda-feira, aqui fica a letra de uma música para cantar à chuva. Haverá algo mais romântico do que um beijo com o rosto a pingar e os pés molhados?

Você, manhã de tudo meu
Você, que cedo entardeceu
Você, de quem a vida eu sou
E sei, mas eu serei.

Você, um beijo bom de sol
Você, de cada tarde vão virar
Sorrindo de manhã.

Você, um riso indo à luz
A paz de céus azuis
Você, sereno bem de amor em mim.

Você, tristeza que eu criei
Sonhei você pra mim
Vem mais pra mim, mas só.

Depois da tempestade...

...vem mais chuva!

Ontem, a RTP exibiu o programa "E depois do adeus" sobre as maiores cheias de sempre, enquanto a capital adormecia alagada. E, hoje, a Grande Lisboa acordou mergulhada num caos! Será obra do destino? Ou será que não aprendemos nada durante estes anos todos e continuamos a cometer os mesmos erros? Correndo o risco de estar a chover no molhado, parece-me que há aqui dedo do homem. Já dizia o povo para não guardar para amanhã o que se pode fazer hoje, mas o certo é que não se aposta na prevenção e o resultado está à vista de todos. Quanto ao programa, não deixa de ser uma ironia!

Xiu! Nao contem a ninguem...


A rua não é das mais frequentadas. A porta escondida atrás dos arbustos adensa o mistério. Quem passa, espreita, mas raras vezes se atreve a entrar. A inscrição à entrada ("Após o termino do horário público, este espaço está reservado aos seus sócios") dissuade os mais curiosos, que depois de a lerem voltam para trás. Talvez com medo de penetrarem num mundo desconhecido, quiçá perigoso. Talvez receosos de serem postos de parte ou olhados de lado.
Eu sabia ao que ia. Entrei sem medo e conto voltar. A Associação dos Loucos e Sonhadores é um desses segredos do Bairro Alto, que vai passando de boca em boca num sussuro. O espaço é acolhedor - quente sem ser abafado - e tem uma aura de clube secreto. Faz-nos lembrar reuniões de revolucionários, tertúlias, encontros poéticos, discussões filosóficas. E, ao mesmo tempo, parece-se tanto com uma qualquer sala de estar que depressa nos sentimos em casa. O atendimento familiar, os preços muito simpáticos, a música cheia de bom gosto e os livros espalhados por todos os cantos também ajudam. Sabe mesmo bem ficar por lá a preguiçar...
Não vos posso é dizer onde fica: descubram! Afinal, o Santo Graal também não está à disposição de todos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

"É terrível ter o destino da onda anónima morta na praia."

Ruy Belo

A saga continua

Tenho esta mania de sonhar. É um hábito antigo, uma espécie de vício que não consigo largar. Já devia ter aprendido que sonhar magoa. Que planear, projectar e organizar gera uma enorme ansiedade. E, claro, quando as expectativas não são logradas, a frustração preenche o vazio enorme dos sonhos que se foram. Coisas simples. Sem importância para alguns. Ainda assim, não aprendo a lição e continuo a deixar-me levar pela minha imaginação. Continuo a acreditar que se fizer isto e aquilo talvez a realidade se pareça um pouco mais com ela. Mera ilusão.

São coisas tão pequenas. Uma casa confortável onde apeteça estar, um trabalho estimulante à minha altura, um certo orgulho no olhar, mais confiança a cada dia que passa. Será que é pedir muito?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A queda de um anjo...



Era novo de mais, talentoso de mais, bonito de mais...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Porque sera?

"a auto-estima está ligada ao nosso dinheiro."

in "True Self, True Wealth - A Pathway to Prosperity", de Peter Cole e Daisy Reese

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Na mesa de cabeceira


Os Prazeres do Ócio, de Tom Hodgkinson, é o livro perfeito para dias como o de hoje. Além de assentar que nem uma luva no meu actual estado de espírito ( e postura corporal), ainda me dá uma série de boas razões para não me sentir culpada! Para ler devagar, sem correria, porque o mundo não se fez num só dia. Uma verdadeira lufada de ar fresco na era da mediatez e do descartável. E o melhor, é que nos arranca uma boa gargalhada quando nos revemos na caricatura do escravo do trabalho. No original How to be Idle (Como ser ocioso), este livro é um guia obrigatório para stressados (como eu), apressadinhos, perfeccionistas e CHATOS! Óptimo para ler na cama, junto à lareira, no pub, durante uma tarde de pesca e sempre que lhe apetecer. Agora, se me dão licença, vou voltar para os meus afazeres. É que isto do dolce fare niente tem muito que se lhe diga...

Hoje, estou assim...

...preguiçosa como a Laziest Girl in Town da Lisa Ekdahl!

I've a beau, his name is Jim,
He loves me and I love him,
But he tells me I'm too prim,
That means I'm too slow.
I let him rant, I let him rave,
I let him muss my permanent wave,
But when he says "Let's misbehave,"
My reply is "No!"

It's not 'cause I wouldn't,
It's not 'cause I shouldn't,
And, Lord knows, it's not 'cause I couldn't,
It's simply becasue I'm the laziest gal in town.
My poor heart is achin'
To bring home the bacon,
And if I'm alone and forsaken,
It's simply because I'm the laziest gal in town.
Though I'm more than willing to learn
How these gals get money to burn,
Ev'ry proposition I turn down,
'Way down,
It's not 'cause I wouldn't
It's not 'cause I shouldn't,
And, Lord knows, it's not 'cause I couldn't,
It's simply because I'm the laziest gal in town.

Nothing ever worries me,
Nothing ever hurries me.
I take pleasure leisurely
Even when I kiss.
But when I kiss they want some more,
And wanting more becomes a bore,
It isn't worth the fighting for,
So I tell them this:

It's not 'cause I wouldn't,
It's not 'cause I shouldn't,
And, Lord knows, it's not 'cause I couldn't,
It's simply becasue I'm the laziest gal in town.
My poor heart is achin'
To bring home the bacon,
And if I'm alone and forsaken,
It's simply because I'm the laziest gal in town.
Though I'm more than willing to learn
How these gals get money to burn,
Ev'ry proposition I turn down,
'Way down,
It's not 'cause I wouldn't
It's not 'cause I shouldn't,
And, Lord knows, it's not 'cause I couldn't,
It's simply because I'm the laziest gal in town.