Ontem, foi noite de Jazz na Gulbenkian. Noite estrelada de Agosto. Noite de encontro de John Zorn e Fred Frith, dois pesos pesados destas andanças. Completamente desconhecidos para a minha pessoa até o D. me falar neles no Sábado. Entusiasmado como sempre por tudo o que é novo ou diferente. Fui de pé atrás. Não tinha tido boas experiências com coisas experimentais até então. Nem sou suficientemente iluminada para perceber expressões artísticas que não possa associar a algo de familiar. Ainda assim, fui aberta à descoberta. A T. também lá estava acompanhada pelo seu R.. Ouvi. Deixei-me levar e, no fim, fiz minhas as palavras de Pessoa: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se." O cenário ajudou, é certo. Um anfiteatro ao ar livre cheio de gente e emoldurado por um belo jardim é sempre bonito de se ver. De qualquer forma, a verdade é que fiquei surpreendida pela positiva. Ou eles são mesmo bons. Ou eu não sou tão obtusa quanto pensava!
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Sonha comigo, por favor
(Para ler ao som de um clássico nas vozes da realeza do jazz.)
Dream a little dream of me, Ella Fitzgerald & Louis Amstrong
Ela mostrava-se fria e distante. Por dentro ardia. Ele olhava-a de soslaio e denunciava-se em cada gesto. Por dentro receava dar um passo em falso. Falavam horas a fio de trivialidades, pequenos nadas, coisas tontas e sem sentido. Mudos contavam segredos que desconheciam. Pelo meio, o silêncio. Umas vezes incómodo, na maioria revelador. Por vezes, tocavam-se sem querer. O corpo estremecia em sinal de alarme e recuavam em seguida como se nada fosse. Ele não sabia o que dizer. Ela não sabia o que sentia. Depois, cada um seguia o seu rumo. Ela voltava para o seu mundo certinho. Ele para a companhia da solidão.
As noites custavam mais. Ela tinha medo do escuro. Ele iluminava-o com o brilho do olhar. Até que um dia ele lhe disse baixinho:
"Será que posso sonhar contigo?"
Ela quis gritar que sim. A voz sumiu-se e não conseguiu dizer nada mais do que
"Boa noite. Dorme bem..."
No escuro do seu quarto, ela adormeceu com um sorriso nos lábios. E sonhou com ele toda a noite.
Dream a little dream of me, Ella Fitzgerald & Louis Amstrong
Ela mostrava-se fria e distante. Por dentro ardia. Ele olhava-a de soslaio e denunciava-se em cada gesto. Por dentro receava dar um passo em falso. Falavam horas a fio de trivialidades, pequenos nadas, coisas tontas e sem sentido. Mudos contavam segredos que desconheciam. Pelo meio, o silêncio. Umas vezes incómodo, na maioria revelador. Por vezes, tocavam-se sem querer. O corpo estremecia em sinal de alarme e recuavam em seguida como se nada fosse. Ele não sabia o que dizer. Ela não sabia o que sentia. Depois, cada um seguia o seu rumo. Ela voltava para o seu mundo certinho. Ele para a companhia da solidão.
As noites custavam mais. Ela tinha medo do escuro. Ele iluminava-o com o brilho do olhar. Até que um dia ele lhe disse baixinho:
"Será que posso sonhar contigo?"
Ela quis gritar que sim. A voz sumiu-se e não conseguiu dizer nada mais do que
"Boa noite. Dorme bem..."
No escuro do seu quarto, ela adormeceu com um sorriso nos lábios. E sonhou com ele toda a noite.
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