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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Caos Calmo...

Sinto-me como a personagem de um filme. Ou por outra, sinto-me como o espectador que assiste sentado no cinema ao filme da sua vida. Os eventos sucedem-se em cadeia, sem que eu consiga reagir. Ou reflectir. Ou até sentir. O ano começou auspicioso, cheio de mudanças. A casa a estrear, o novo emprego, as perspectivas de uma carreira fulgurante num projecto inovador e ainda no começo. Tudo diferente do que eu experimentara até agora. Tudo o que pedira até então.

Passou um mês. Um mês apenas... O suficiente para eu perceber que, de facto, não há empregos perfeitos. Que os algarismos a mais na conta do banco nem sempre pagam a tranquilidade de espírito. Que sem um bom ambiente é difícil construir uma boa equipa. E que só as perspectivas de futuro nos podem fazer lutar por um projecto.

Passou um mês. Um mês apenas... O suficiente para criar um laço cúmplice. Para partilhar conquistas e frustrações. Para fazer projectos e vê-los cair por terra. Um mês apenas... O suficiente para a minha colega (e agora amiga) dizer basta e abandonar o barco. Para eu apanhar os cacos e tentar começar do zero novamente, como se nada fosse.

Passará mais um, dois, três, quem sabe? E eu deixarei para trás este caos calmo e lançar-me-ei outra vez à aventura. Baixar os braços é que não!



PS: E no meio deste turbilhão de emoções sabiamente recalcadas, surge uma preocupação maior... O medo da perda do meu querido avô... Porque, como aprendemos no filme, quase tudo na vida é reversível!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Borges

"Se eu pudesse viver novamente a minha vida
Na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido,
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiénico.
Correria mais riscos
viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas,
nadaria mais rios.
Iria a lugares onde nunca fui,
comeria mais sorvetes
e menos favas,
teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui dessas pessoas que viveu sensata
e minuciosamente cada minuto da sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se pudesse voltar atrás trataria
de ter somente bons momentos.
Porque, se não o sabem, disso é feita a vida,
só de momentos; não percas o agora.
Eu era desses que nunca
iam a parte nenhuma sem um termómetro,
um saco de água quente,
um guarda-chuva e um pára-quedas;
se pudesse voltar a viver, viajaria mais leve.
Se pudesse voltar a viver
começaria a andar descalço no princípio
da Primavera
e continuaria descalço até ao fim do Outuno.
Daria mais voltas no carrossel,
contemplaria mais amanheceres,
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas vejam lá, tenho 85 anos e sei que estou a morrer."

Toxic

"Is it possible to hate and to love the same person at the same time?"

domingo, 23 de novembro de 2008

Pecado mortal

Tenho uma inveja incomensurável dos egoistas. Daqueles que fazem o mundo girar à sua volta. Que conseguem sempre fazer prevalecer a sua vontade à dos outros. Que não se importam de quebrar promessas por motivos de força maior - leia-se a sua vontade. Que esperam que os outros esperem por eles e, que sabem, que se não esperarem são os outros que perdem. Que estão cobertos de razão venha o que vier. Que não têm a generosidade de deixar de fazer o que querem para agradar aos outros. E imagino que à noite ainda durmam como uns anjinhos!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mais do mesmo...

...e, ainda assim, algo complentamente diferente. As Au Revoir Simone recriaram Oh You Pretty Things do Bowie e o resultado é SUBLIME. Um fim-de-semana daqueles para todos!

PS: Este cover está incluido em Life Beyond Mars, um álbum imperdível que presta homenagem ao mestre camaleónico.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Cansar é morrer!


Amanhã "as meninas" vão arrasar Lisboa com um concerto há muito esperado. Depois de nos deixarem pendurados em Julho - eu não ouvi o anúncio do cancelamento e fui ao Alive para vê-las - voltam para matar saudades da gastronomia portuguesa! E a lista de petiscos pedidos para os jantares antes dos concertos na capital e na invicta inclui bacalhau e pasteis de belém, segundo confessaram numa entrevista à rádio a semana passada.
Mas o real motivo da visita é outro: Donkey, o álbum que dividiu a crítica. Já se sabe que não há amor como o primeiro e Cansei de Ser Sexy foi recebido com uma euforia consensual. E, nestas coisas da música, quando se faz um álbum como aquele é difícil manter o nível. Parece que todos ficam a torcer para que o segundo não suplante o primeiro e, mesmo que o faça, dificilmente se assume. Foi assim que muitas bandas se imortalizaram com um único trabalho - talvez com medo de estragar tudo com o temível segundo. Mas "as meninas" têm garra e não se deixam assustar com pouco. Pelo contrário, ousaram sair do seu registo inicial, apostaram numa sonoridade mais pesada, mais rock, mais punk - que, por vezes, me lembra um pouco os suecos The Sounds - e, ainda assim, muito dançável. Uns adoraram, outros disseram que ficava aquém das expectativas. Certo, certo é que elas continuam a vender que se farta. Nos quatro cantos do mundo. E eu acho muito bem!

domingo, 12 de outubro de 2008

Eu e o Proust

Descobri hoje que temos algo em comum. Infelizmente, não é o talento natural para narrar histórias, nem a notoriedade, nem a espartana disciplina de escrita e sim a falta de jeito para o desenho. Nenhum de nós é perfeito, portanto!

PS: Se quiserem comprovar a veracidade dos factos, não percam a exposição Desenhos de Escritores patente no Museu Berardo.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Inventário

Un serment a l'eau
Deux paroles en l'air
Trois petits bateaux
oublies par terre
un peu de ta bouche
beaucoup de ta gueule
Quatre poils dans la douche
tu vivrais mieux seul
tes erreurs
mes jugements
mes jurons
tes errements

et aprés ?

apres on réve d'avant
rien de secret,
tout se perd,
de quoi avons-nous l'air
a l'heure de l'inventaire
de quoi avons-nous l'air
de quoi avons-nous l'air

Cinq minutes chrono
on fera mieux demain
Six mauvaises photos d'inceste ou d'un saint

Sept appels de ta mere
1 message par heure
tu pourrais decrocher
marre du repondeur
tant est plus pour trois fois rien
trop de mal pour un bien
au bout du compte
amour tu m'aimes combien ?

rien de secret,
tout se perd,
de quoi avons-nous l'air
a l'heure de l'inventaire
de quoi avons-nous l'air
de quoi avons-nous l'air
de quoi avons-nous l'air
de quoi avons-nous l'air

Huit ans a t'aimer
c'etait un jeudi
la terminale B
pas une lettre depuis
Neuf je ne sais plus bien
je vais pas mentir
je ne trouve plus rien de neuf a te dire
que te reste-t-il de moi ?
mieux vaut en rester la

mais dis-moi
est-ce que je compte pour toi ?

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

(Re)Start

Como nasce uma ideia completamente nova? Como se aprende a criar conceitos inovadores? Como se cria um criador? É o que estou a tentar perceber no livro O Efeito de Medici, do especialista em inovação Frans Johansson. Vou educar-me bem e arregarçar as mangas. E, em breve, ainda vão ouvir falar de mim!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O peso das palavras

Quem me conhece sabe que sou fanática por diálogos. Não consigo evitá-lo! Seja num filme, num livro, numa série ou até num anúncio, são eles que me chamam a atenção. Uns, de tão maus, outros, soberbos ao ponto de invejar o seu autor. Dou comigo a remoer palavra por palavra e a pensar "quem me dera ter sido eu a lembrar-me disto!". Um bom exemplo é Laura (1944), de Otto Preminger, que vi pela primeira vez numa aula de produção cinematográfica. Os diálogos são um deleite, com uma ou outra tirada de humor inteligente e um jogo de sedução quase imperceptível. Muito anos quarenta, muito golden era. Em miúda, acreditava piamente que as pessoas crescidas falavam sempre assim. Com classe, charme e uma ironia acutilante. Cresci a acreditar que uma mulher que se preze nunca mostra as cartas todas como as heroínas dessa Hollywood perdida e toma conta do rumo da sua história sem que ninguém se aperceba. E estas personagens virtuosas foram, sem dúvida, o principal objecto de admiração da minha meninice. Os guiões eram escritos à sua medida e acontecesse o que acontecesse saíam sempre vitoriosas ou porque se emancipavam do marido tirano ou porque conseguiam vingar profissionalmente ou porque contrariavam o estereótipo que a sociedade tinha criado para elas. Foi por elas que me apaixonei pelo cinema e, logo depois, pelos diálogos em geral.
Tudo isto vem a propósito de Elizabethtown, que revi ontem no conforto do meu sofá. A princípio estava com algum receio de me desiludir. Quando o vi pela primeira vez, estava tão deslumbrada e com ímpetos românticos tão incontroláveis quanto frequentes, que não me sentia capaz de tecer um juízo racional. É verdade que o tema central é o recorrente regresso a casa, mas ninguém fica indiferente à cumplicidade de Drew e Claire e o fim adivinha-se facilmente. Ainda assim é uma verdadeira lufada de ar fresco no seu género. E o que o separa das comédias românticas que já vimos dezenas de vezes? As personagens não são meras caricaturas, são sólidas e evoluem de dentro para fora. E, claro, os diálogos! Inesperados, encenados o quanto baste, mas perfeitamente credíveis. O suficiente para me dar vontade de dizer: "quem me dera ter sido eu a escrever isto!"

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A Mudança

Parece que vou mudar (outra vez) de casa! Desde que aterrei de pára-quedas em Lisboa em 2001, já vivi em cinco casas. A primeira ficava na Quinta da Luz perto do Colombo. Eu vinha cheia de sonhos e com vontade de conquistar este mundo e o outro e depressa me apaixonei pela cidade. Dividia o quarto com a M. e na casa viviam também a mosca morta e o monstro das bolachas. A convivência não era pacífica e a coisa azedou a sério ao fim de três meses, quando descobrimos que afinal a renda ia passar para o dobro e o monstro das bolachas começou a mostrar as suas garras. Bizarro, no mínimo! Claro que em Janeiro quartos de estudante acessíveis era coisa que não abundava e não tive outro remédio senão ir para o Barreiro para casa dos meus tios, mais propriamente para um anexo amplo no terceiro andar só para mim e muito confortável. Esta segunda experiência foi muito mais agradável, mas eu estava apaixonada por Lisboa e havia um rio a separar-nos. Lá tive de aguentar a travessia de barco durante um semestre, enquanto a minha tia me estragava com mimos e a melhor comida do mundo. No segundo ano, mudei-me com a E. para a Av. 5 de Outubro. Aquilo é que era qualidade de vida: demorava cinco minutos a chegar à faculdade se apanhasse todos os sinais de peões vermelhos, um acidente, um autocarro a largar passageiros e uma velhinha a precisar de ajuda para atravessar a estrada! Tinha tudo a um passo de casa, desde o Monumental até às lojas do Saldanha. E depois era tão fácil combinar saídas com a malta da faculdade! Ia tudo ter a minha casa. Na Primavera, as árvores enchiam-se de flores, ao fim-de-semana, a rua ficava serena e à noite andava a pé sózinha sem medo. Eu e a E. dávamo-nos lindamente e até tive direito a uma festa de aniversário surpresa naquela casa. Um ano e meio depois, troquei a 5 de Outubro pela Calle Borja, em Madrid. Em vez de um minúsculo T1 transformado em T3, fui para um T5 duplex, que também tinha sido transformado para albergar seis estudantes e a proprietária. Ali vivi com duas lisboetas, uma brasileira, uma mexicana cleptomaníaca, duas francesas de origem árabe, que nos detestavam a todas e uma espanhola, a senhoria e matriarca Pilar. Era uma casa fabulosa com um terraço espaçoso, onde faziamos grandes jantaradas de Erasmus, uma sala enorme com uma panóplia de livros e dvds, onde devorávamos as séries da Factoria de Ficción e dezenas de bolachas de uma só vez, e um ambiente único. Esta seria a minha quarta casa, mas como foi fora de Lisboa não conta. De volta a Portugal, fui procurar casa com a R., porque a E. continuava na 5 de Outubro e já não havia lá espaço para mim. Fui parar novamente a Benfica, a um T2 transformado à força em T3 e não foi fácil habituar-me outra vez a um espaço tão exíguo e ainda por cima sem sala. Era o último ano da faculdade e nós queríamos aproveitá-lo a valer. Naquele número 68, riu-se muito, chorou-se muito e mudou-se muito. Crescemos, começámos a trabalhar e eu voltei a apaixonar-me e a mudar de casa. A R. foi viver com a N. e eu fui para um T2 a sério no mesmo bairro. Lá viviam duas amigas que dividiam um dos quartos, passavam a maior parte do tempo na terrinha e estavam prestes a deixar a capital. Aos poucos, fui transformando a casa à minha imagem e semelhança e o D. também se foi apoderando um pouco do espaço. Mas como em todas as histórias não há bela sem senão, o senhorio é uma personagem difícil de dobrar e ainda mais difícil de engolir. Depois de muitas divergências, cheguei à conclusão que é hora de sair. E, desta vez, além de boa, tem de ser MINHA!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O meu Chiado


No Chiado, a tradição abraça a vanguarda. O Tavares, A Brasileira e as ruínas do Carmo convivem pacificamente com o Olivier, o Mar Adentro e o Museu do Chiado. Nas ruas, misturam-se culturas, línguas e cores. Visita-se o passado n’A Vida Portuguesa, folheiam-se histórias na Bertrand, declaram-se amores no Amo-te. Provam-se sabores tipicamente nossos e de outros. Os scones do Royale Café, os gyosas do Nood, o bife da Brasserie de L’Entrecôte, os croissants da Bernard, os lanches do Tágide. Contempla-se o pulsar da cidade e o brilho do Tejo do terraço do Bairro Alto Hotel. A rua Nova do Almada e a Garrett são palco de um desfile diário, onde as tendências da moda que figuram nas montras ganham vida. O teatro, a música e a ópera entram em cena no São Luiz, no Teatro-Estúdio Mário Viegas e no São Carlos. Para mim, todos os dias são dias de Chiado!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Moral da história

Quem poupa o lobo, sacrifica as ovelhas. Já dizia Victor Hugo (1802-1885)

Fé em Deus!


Ontem, foi noite de cinema after-hours. O BOPE entrou-me pelos olhos, cabeça, entranhas adentro. Atirou a matar. Atirou para limpar a sujidade da favela. Atirou contra o lobo mau. Atirou ao som do choro das criancinhas. Atirou para as mães dormirem descansadas e poderem enterrar os seus filhos. Atirou porque o comando não é só "consciência social". Atirou porque a polícia municipal faz vista grossa. Atirou porque os filhinhos de papai gostam de brincar de traficante na Universidade. Atirou para não morrer.

(Lembrei-me do assalto. Dos putos escanzelados com cara de criança e voz de monstro. Do olhar esgazeado da dependência. Da violência das palavras e dos gestos. Do perigo eminente, da garrafa partida apontada à minha barriga, do medo aterrador. Lembrei-me da força que as minhas pernas ganharam quando me consegui soltar. De não olhar sequer para trás. De ficar sem fôlego e de as palavras tropeçarem nas lágrimas e nos soluços. Da indiferença da polícia turística. Da raiva e do calor húmido de Natal.)

Cheguei a casa tarde mas desperta. Com realidade a mais a sair-me pelos poros. Antes de adormecer, pensei que não passava de um exercício de ficção brilhante. O problema é que o que para mim é entretenimento puro ou quanto muito uma lição de sociologia é o dia-a-dia de milhares de pessoas do outro lado do Atlântico. Uma guerra aberta sem fim à vista e onde todos são culpados. De uma forma ou de outra. Os aviõezinhos ou fogueteiros começam desde cedo a vender maconha, pó ou o que quer que seja. Para sustentar a família, no início, para sustentar o vício, pouco depois. E é aqui que começa a perversidade: os grandes dão-lhes um empurrão para que fiquem agarrados e o ganha-pão transforma-se em produto consumível. Seguem-se os roubos, porque os traficantes não perdoam e o dinheiro tem que aparecer custe o que custar. Depois, tal como mostra o filme, os consumidores também têm culpas no cartório. Afinal, são eles que alimentam toda esta cadeia. E, claro, a polícia entra no jogo, facilitando a vida aos patrões do ghetto em troca da sua pele a salvo e de uns bons contos de rei. Haverá excepções certamente, mas o filme mostra que esta instituição está corrumpida até ao tutano. A precaridade salarial, os perigos a que estão sujeitos a troco de nada e a filha-da-putice pura são apresentadas como as causas para o estado das coisas. Os policias são seres humanos que têm medo de morrer, pais de família com filhos para sustentar, profissionais desmotivados que não acreditam na mudança. Resta o Batalhão de Operações Policiais Especiais, os homens de negro duros de roer e incorruptíveis. Actuam quando os outros falham e não compactuam com o sistema, porque eles ainda acreditam que podem fazer a diferença.
O filme começa com o BOPE a irromper pela favela ao som do Baile Funk . O ritmo é frenético e a câmara acompanha cada movimento, levando-nos para dentro de cena. Sentimos a angústia dos únicos dois polícias honestos do Rio e seguimos a par e passo a entrada triunfal dos homens de negro. Sente-se quase o bater do coração das personagens, a respiração ofegante, o terror dos civis. Assistimos a um rol de horrores como se de um espectáculo se tratasse e se não fosse a narração compassada do Capitão Nascimento as imagens tornar-se-iam insuportáveis. Ele é a voz da consciência. Conduz-nos através do desenrolar dos acontecimentos, abre o coração, confessa os seus próprios erros. Vemos a relidade como ele a vê, uma parte dela, uma verdade possível, uma verdade polémica o quanto baste. É por isso que Tropa de Elite é um produto ficcional e não um documentário. Genialmente realizado, interpretado e editado. E, cá entre nós, uma excelente amostra do bom cinema na língua de Camões que por lá se faz!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Detesto...


...a prepotência masculina em geral. Mascarada de insegurança e amuanço, por vezes, completamente descarada outras tantas. Por trás daquele tom paternalista, daquela mão mansa que nos passam pela cabeça ou daquele irritante ar reprovador, esconde-se a velha mania de mandar a todo o custo. Ainda assim prefiro os homens de pulso firme e decididos. Ao menos não disfarçam e num duelo entre dois grandes egos ninguém tem de se curvar. Com um pouco de sorte, acabam por mostrar ambos a bandeira branca e o cessar fogo é muito mais agradável do que uma guerra fria e silenciosa. Os outros, mais vulneráveis e dependentes, gostam de se fazer de vítimas. E isso, meus senhores, é jogo sujo!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Two For The Road

O filme que eu DEVIA ver hoje... Podia ser que aprendesse alguma coisa. Ou talvez não...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Ordem para abrandar


Enquanto a maioria de nós se perde no meio de uma agenda cheia de compromissos inadiáveis, reuniões e objectivos a cumprir, há quem comece a tirar partido da vida. Sim, porque mais de metade da população deste planeta mais não faz do que sobreviver! Embrenhados num mar insano, movidos pela lógica do cifrão, da aparência e da produtividade, esquecemo-nos das coisas mais simples. E será que realmente nos importamos? Às vezes, parece pecado admitir que temos tempo. Tempo para um café com amigos, tempo para ler, tempo para errar estrada fora. No "nosso mundinho", fica melhor dizer que estamos assoberbadíssimos (alguns, de facto, estarão), que mal conseguimos ter vida pessoal, que aquele jantar tem de ficar para daí a três meses, que temos em mãos um novo projecto e precisamos de enclausurar-nos em casa, e por aí fora. A um passo de nós, começa a crescer uma pequena minoria - na Austrália, em algumas nações nórdicas e um pouco por todo o lado - que decidiu gritar BASTA! a este ritmo frenético. Alguns somavam sucessos profissionais, tinham cargos de relevo, carreiras invejáveis...e vidas vazias. Quis a vida, ou por outra, quiseram eles que o rumo das suas histórias mudassem radicalmente. Passaram a família, os amigos e a realização pessoal para primeiro plano, disseram que não ao cargo importantíssimo que lhes roubava a tranquilidade e às despesas exageradas de um estilo de vida com estilo, mas sem vida. E, agora, contam-nos como se pode ser feliz longe de tudo o que a nós ainda nos prende. É um sinal dos tempos!

Beginner's Guide To Slow Down

Six Slow Secrets (and four more)

1. Have a cup of tea, put your feet up and stare out of the window. Warning: don’t try this while driving.
2. Spend some quality time in the bathtub.
3. Write down these words and place them where you can see them, “Multi-tasking is a Moral Weakness.”
4. Try to do only one thing at a time.
5. Do not be pushed into answering a question right away. Take your time.
6. Get some stuff to show you're slow.
7. Yawn often. Medical studies have shown lots of things and possibly that yawning may be good for you.
8. Have some more tea. Tea is the drink of the slow.
9. Join our slow story reminder list.
10. Take a nap and spend at least an hour extra in bed. You deserve it. If you need help getting out of bed, then read this. If you think you have a hard time getting to sleep then read this .
Note: If you just can't shake of an attack of seriousness, then amble slowly over to the slow blog http://www.blog.slowdownnow.org.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Saúde pública


Durante o meu zapping nocturno, deparei-me com uma frase surreal, que me fez duvidar se ainda estava acordada ou no meio de um pesadelo. Belisquei-me e percebi que a realidade há muito que deixou de ser lógica! Refiro-me às sinceras (seriam?) palavras de Dias Loureiro a propósito do lançamento da biografia* do nosso caro Primeiro-Ministro. É que segundo o Diário de Notícias, o ex-ministro social-democrata desfez-se em elogios ao Sr. Engenheiro e chegou mesmo a afirmar que "O optimismo de Sócrates faz bem a Portugal." Por momentos, ainda pensei que se estivesse a falar de algum medicamento ou mesmo do afamado filósofo grego. Agora que penso nisto, não sei o que é pior: o facto de Sócrates estar optimista em relação ao que quer que seja ou o facto de o país precisar desse optimismo para estar bem de saúde. No que me toca, lembro-me de me ter ocorrido enquanto mudava de canal, que o Sr. de São Bento podia enfiar o seu optimismo pelo *@#& acima! Se calhar era o sono a falar mais alto...

*Sócrates, O Menino de Ouro do PS, da autoria da jornalista Eduarda Maio

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Emma Goldman

Há um século atrás, esta anarquista e feminista de origem lituana disse: "If voting changed anything, they'd make it illegal". Começo a acreditar que ela tinha toda a razão.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Há dias assim...

A menina do post anterior juntou-se aos Five O'Clock Heroes e deu voz a uma mente conturbada. Como a minha por estes dias. A dada altura na música Who, Agyness parece roubar-me as palavras da boca:

"I wish I could control all my judgments
Understand every move
Take of my mind all of this voices
Tell me what should I do"