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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

E esta, hein?!


Nando's é o nome de uma cadeia de restaurantes criada por dois amigos, Robert e Fernando - este segundo de origem portuguesa - na África do Sul. Começou por chamar-se Chickenland e depressa o frango com priri-piri que serviam se transformou numa especialidade comentada. A notoriedade levou-os a mudar de nome e a lançar-se à conquista do mundo como os impetuosos navegadores portugueses de outros tempos! Depois dos sul-africanos, foi a vez de os ingleses provarem o tempero picante do frango Nando's. Gostaram, choraram por mais e, actualmente, já há 190 espaços destes em terras de Sua Majestade. A especialidade continua a ser o "tradicional" frango de churrasco que nós tanto gostamos, bem como as sandwiches e hamburgueres de frango bem condimentadas. O serviço de take-away é bastante requisitado e os molhos Nando's para cozinhar em casa também fazem sucesso. E o galo de Barcelos é o símbolo desta espécie de McDonald's de inspiração lusa!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Desilusao no Bairro Alto


Já alguém tentou marcar uma mesa para jantar em Lisboa ao Sábado, assim um bocado em cima da hora? Este fim-de-semana calhou-me a mim essa árdua tarefa e foi desesperante. Não fosse a ocasião importante e teria optado por ir ao perder como diz a R., ou seja, tentar a minha sorte sem nada marcado. Quando já estava quase a desistir, consegui fazer reserva na Mercearia da Comida, na Rua da Barroca. Em tempos, tinha espreitado pela porta e parecia-me ser acolhedor o bastante para este jantar tardio. O espaço era engraçado, com uma decoração despretensiosa e ao que parece inspirada numa mercearia portuguesa à antiga. Gostei do ambiente, das caixas de fruta a servir de molduras e ao fim de poucos minutos lá dentro já estava a salivar - como sempre! Metade pelo avançar da hora, metade pelo cheiro do leite creme que tinham servido na mesa ao lado. Devorei o menú com os olhos, enquanto saboreava as azeitonas (óptimas por sinal!) e acabei por decidir-me pelo Bacalhau com Espinafres à Tia não sei das quantas. A sangria com muita hortelã como se quer chegou passado pouco tempo e manteve-nos entretidos durante os dez minutos de espera. - Que rápido! - disse eu. O meu estômago ficou radiante, mas os meus olhos nem por isso. O lombo recheado que também veio para a mesa acompanhava com um pouco de arroz branco e com uma salada muito parecida com aquelas que se compram embaladas. E o meu bacalhau não me despertou a gula que esperava! Mas como a aparência não é tudo, pensei que o sabor estaria à altura das minhas expectativa. À primeira garfada, as minhas ilusões cairam por terra. O bacalhau não sabia a nada e parecia que tinha sido cozido e não tinha levado qualquer tipo de condimento. Depois - pasme-se -, estava coberto por uma espécie de puré instantâneo com água a mais e uns espinafres igualmente sem sabor. No topo, um pouco de queijo e pão ralado para dar um ar de gratinado, que nem os meus olhos conseguiu convencer. Comi, poque tinha fome, mas o deconsolo na minha cara devia ser mais do que evidente. Os meus companheiros de mesa ficaram mais ao menos com a mesma sensação e o que vale é que a sangria nos subiu depressa à cabeça!

Não sou crítica nem nada que se pareça, mas tenho tanto voto na matéria como qualquer outro cliente. E tendo em conta que não estava a jantar em nenhuma tasca e os preços embora não fossem assustadores também não eram assim tão baixos, exigia-se um pouco mais de qualidade. Ah, e por falar em tascas, o Toma Lá, Dá Cá da Bica já me proporcionou experiências gastronómicas bem mais agardáveis e em conta.

Tive pena de não experimentar o leite creme, que dizem (na net) ser delicioso, mas o meu estômago já não tinha mais espaço para desilusões...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Xiu! Nao contem a ninguem...


A rua não é das mais frequentadas. A porta escondida atrás dos arbustos adensa o mistério. Quem passa, espreita, mas raras vezes se atreve a entrar. A inscrição à entrada ("Após o termino do horário público, este espaço está reservado aos seus sócios") dissuade os mais curiosos, que depois de a lerem voltam para trás. Talvez com medo de penetrarem num mundo desconhecido, quiçá perigoso. Talvez receosos de serem postos de parte ou olhados de lado.
Eu sabia ao que ia. Entrei sem medo e conto voltar. A Associação dos Loucos e Sonhadores é um desses segredos do Bairro Alto, que vai passando de boca em boca num sussuro. O espaço é acolhedor - quente sem ser abafado - e tem uma aura de clube secreto. Faz-nos lembrar reuniões de revolucionários, tertúlias, encontros poéticos, discussões filosóficas. E, ao mesmo tempo, parece-se tanto com uma qualquer sala de estar que depressa nos sentimos em casa. O atendimento familiar, os preços muito simpáticos, a música cheia de bom gosto e os livros espalhados por todos os cantos também ajudam. Sabe mesmo bem ficar por lá a preguiçar...
Não vos posso é dizer onde fica: descubram! Afinal, o Santo Graal também não está à disposição de todos.